REUTERS/Jorge Adorno
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Macri cancela ida à cúpula da Celac após fraturar costela

BUENOS AIRES - Uma lesão na costela tirará o presidente argentino, Mauricio Macri, da reunião de chefes de Estados latino-americanos em Quito esta semana. Ele se encontraria pela primeira vez no cargo com o chavista Nicolás Maduro, a quem acusa de violar direitos humanos.

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2016 | 02h02

Macri não irá ao Equador por recomendação médica. Ele fissurou uma costela no dia 8, enquanto brincava com sua filha Antonia, de 6 anos. Sua equipe disse que ele não pode fazer esforços para respirar e desaconselhou sua presença em lugares com altitude superior a 2.400 metros. Quito está a 2.850 metros. Ele será representado pela vice-presidente, Gabriela Michetti.

Antes da notícia, jornais argentinos destacavam o aumento na tensão entre os países, com a promessa do venezuelano de "ir com tudo" à cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (Celac).

"Ninguém vai me calar. Vou com todas as verdades. Que seja respeitado o espírito de união na diversidade. Não vou aceitar abusos de ninguém lá", afirmou Maduro em um programa de TV no fim de semana, referindo-se a Macri. Na quarta-feira, cada presidente terá seis minutos para discursar em Quito.

O primeiro encontro entre os dois teria ocorrido no dia 21 de dezembro na reunião do Mercosul no Paraguai, mas o venezuelano desistiu da viagem na noite anterior. Ele foi representado pela chanceler Delcy Rodríguez, que reagiu ao pedido de Macri pela liberação de opositores considerados presos políticos acusando-o de proteger torturadores da última ditadura argentina (1976-1983).

Entre os decretos emitidos pelo argentino, que assumiu a Casa Rosada em dezembro, não há mudança no tratamento de repressores. A diplomacia argentina disse que não responderia à agressão porque a chanceler tinha informação incorreta.

O enfrentamento distanciou os países no Mercosul. Argentina e Paraguai lideraram os pedidos de aprovação de controles maiores sobre o respeito aos direitos humanos. A Venezuela ficou em outro extremo, reclamando de "dupla moral" na aplicação de regras sobre o tema e ingerência externa da Casa Rosada. Brasil e Uruguai permaneceram no bloco intermediário.

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