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‘Macri deve vencer, Scioli atingiu teto'

Candidata que obteve 632 mil votos na primeira etapa acredita que ciclo do kirchnerismo na Casa Rosada já terminou

Entrevista com

Margarita Stolbizer

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 04h00

BUENOS AIRES - A candidata de centro-esquerda Margarita Stolbizer teve 632 mil votos no primeiro turno (2,5%) da votação argentina. Atraiu eleitores com grau de instrução médio ou alto, moderados e, em geral, cansados do kirchnerismo. Seu desempenho foi inferior ao que esperava – ficou em quinto lugar –, mas a diferença apertada entre Daniel Scioli e Mauricio Macri no primeiro turno, de 737 mil votos, valorizou seu apoio para o segundo turno. 

A deputada é autora da principal denúncia contra os Kirchners, uma ação que investiga lavagem de dinheiro em hotéis da família em troca de favorecimento em licitações. No sábado, ela pediu que dois juízes ligados ao chamado caso Hotesur fossem removidos por temer que travassem o processo.

A senhora disse que não votaria em Scioli. Escolherá Macri ou o voto em branco?

Não decidi ainda. 

Não pensou em fazer como Sergio Massa (terceiro colocado, com 21,9%), pôr suas propostas na mesa e buscar adesão?

Tenho conversado com Massa e faremos ações conjuntas para isso, principalmente na luta contra a corrupção, uma preocupação em comum. A diferença é que Massa tem um grande capital que lhe permite colocar-se como eleitor privilegiado para impor condições. De qualquer maneira, não acho que possamos dirigir os eleitores. Eles vão escolher de acordo com suas avaliações, motivações e preferências.

No tema da corrupção, que futuro vê para o caso Hotesur?

Tenho impressões contraditórias sobre essa causa. Me preocupa que os juízes tentem bloquear ou afastar-se da investigação. A Justiça terá mais independência com uma troca de governo, sem pressões nem compromissos. Espera-se que avancem no caso porque os crimes existem e alguém deve pagar por eles.

Pesquisas indicam que 10% de seus eleitores irão para Scioli e 40% para Macri. Essa também é sua impressão? 

Acho que pode estar certo. Lidero um partido e uma coalizão opositores. É razoável que a maior parte dos meus eleitores escolham um opositor. O governo está em um ciclo de 12 anos e a democracia necessita alternância. Isso foi expressado pelos cidadãos. Denunciei pessoalmente crimes de funcionários desse governo, tenho absoluta convicção sobre a responsabilidade por roubo e enriquecimento ilícito. O problema não é só a corrupção, mas a impunidade. É preciso uma Justiça independente. Scioli não se compromete com isso, nunca deu uma palavra de reprovação aos funcionários que denunciei. 

Como se explica a presença dos 10% de antimacristas entre seus eleitores?

Os dois candidatos têm muitas coisas parecidas, não haveria muitas diferenças entre o governo de um ou de outro. Apenas questões de estilo. A maioria dos eleitores votou negativamente no dia 25. Escolheram Macri sem gostar dele para que não ganhasse Scioli, e o contrário. É quase uma terapia psicológica o que ocorre nesse país. 

Ter faltado ao debate no primeiro turno tirou votos de Scioli?

Acho que não interferiu na vontade dos eleitores. 

Seus votos são quase equivalentes à diferença que os dois tiveram no primeiro turno. Sente que eles valem mais agora? 

Os votos não me pertencem. Cada candidato tem de mostrar o melhor que pode fazer para conquistar o que falta. O eleitorado mais cobiçado é o de Massa.

Quem ganhará a eleição?

Acho que ganha Macri. Scioli atingiu um teto e o kirchnerismo, assim como suas variações, terminou sua etapa. A maioria da população quer mudanças. Depois, virão as reclamações e as exigências ao longo da próxima gestão.

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