REUTERS|Enrique Marcarian
REUTERS|Enrique Marcarian

Macri diz que deixará controle de fortuna para governar Argentina

Presidente eleito abdica de gestão de patrimônio; sistema é vulnerável, mas representa avanço, avalia economista

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 21h00

O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, pretende deixar a administração de sua fortuna a partir do dia 10, quando toma posse. Filho de um dos empresários mais ricos do país, ele declarou antes do primeiro turno, disputado em 25 de outubro, ter 52 milhões de pesos (R$ 20,7 milhões).

Macri pretende recorrer ao mecanismo do fideicomisso, pelo qual gestores independentes trabalham sobre um patrimônio sem a interferência do dono. A iniciativa é comum entre políticos bilionários americanos. Barack Obama, que tem US$ 7 milhões, não a adotou. Seu uso é frequente por quem deseja afastar suspeita de que enriquecerá num cargo público.

Não há precedentes na Argentina. “Por sorte, tenho atividades hoje sem relação direta com o Estado em termos de contratação”, disse Macri no programa La Cornisa. Com investimentos em construção e fazendas, ele disse que seu dinheiro sofrerá influência, por exemplo, da redução de taxas sobre a exportação agrícola.

A vulnerabilidade da medida é reconhecida pelo economista José Siaba Serrate. “Não há um esquema 100% a prova de corrupção, nem nos EUA. É difícil controlar telefonemas ou mesmo a ação de um intermediário. Mas é um sinal positivo, que abre um precedente e está um passo a frente da declaração de renda”, disse ao Estado.

Na hora de formar seu gabinete, Macri inquiriu cada candidato a ministro sobre sua renda. “Quero saber qual é sua situação econômica para conhecer seu nível de vida, porque, do contrário, surge algum herdeiro”, disse.

Franco Macri, de 85 anos, pai do futuro presidente, foi o empresário mais conhecido do país entre os anos 80 e 90, época em que se aproximou do peronismo com contratos no setor da construção – o ranking da Forbes, em 1998, o colocava com US$ 730 milhões.

Mauricio Macri responde, desde 2010, a um processo por escutas ilegais contra parentes de vítimas do atentado à Associação Mutual Israelita, em 1994. Ele substituirá Cristina Kirchner, advogada e dona de uma cadeia de hotéis. O patrimônio declarado dela é de 64 milhões de pesos (R$ 25,6 milhões), 823% maior do que em 2003, quando seu marido, Néstor, morto em 2010, assumiu o poder.

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