REUTERS/Jonathan Ernst
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Macri exibe controle sobre Congresso

Presidente argentino conseguiu convencer políticos a aprovar a negociação com os chamados fundos abutres

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2016 | 21h04

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, alcançou na madrugada desta quinta-feira uma vitória tão contundente no Senado que sua dimensão política ofuscou a econômica: uma autorização para levar adiante o acordo com os chamados fundos abutres, credores que não entraram na renegociação da dívida argentina feita em 2005 e 2010.

Embora conte formalmente com 15 senadores, o grupo de Macri convenceu 54 dos 72 parlamentares a derrubar duas leis que impediam um pacto fechado em fevereiro, pelo qual o país pagará US$ 4,6 bilhões a detentores de títulos que bloqueiam desde 2014 na Justiça americana a quitação aos demais credores.

O resultado expôs a dimensão da divisão no peronismo, que em maio elegerá novos dirigentes. Apenas 16 senadores permaneceram leais à ordem da ex-presidente Cristina Kirchner de votar contra o governo – 26 apoiaram o projeto. O voto dos senadores é diretamente influenciado por governadores que dependem de verba federal, liberada pelo presidente, para manter as províncias.

“O maior mérito político de Macri até agora foi dividir o peronismo”, avalia o sociólogo e consultor Ricardo Rouvier. “Outros projetos não devem ter essa facilidade, mas fica claro que parte dos que eram fiéis a Cristina estão buscando seu espaço”, acrescentou, referindo-se ao líder do bloco peronista, Miguel Ángel Pichetto, que durante o discurso para justificar o voto salientou ter “recuperado a capacidade de dizer o que pensa”. 

Na Câmara, a lei que permite encerrar o impasse que afastou a Argentina do mercado de crédito foi aprovada dia 16 com 165 votos a favor – a coalizão de Macri, a Cambiemos, conta com 90 deputados. Ele teve, então, apoio de peronistas moderados.

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