EFE
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Em primárias, Macri obtém amplo apoio do país, mas Cristina retorna com força em Buenos Aires

Com pouco mais de 90% das urnas apuradas, macrismo aparecia com 34,27% dos votos contra 34,01% para o kirchnerismo no maior distrito eleitoral do país

O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 08h16

BUENOS AIRES - O presidente argentino Mauricio Macri superou com sucesso no domingo 13 o teste das primárias para as eleições legislativas de 22 de outubro com amplo apoio da população, Já a ex-presidente Cristina Kirchner retornou com força na Província de Buenos Aires, maior distrito eleitoral.

Macri agradeceu que suas listas tenham sido as mais votadas em alguns dos principais distritos eleitorais.

Cristina, candidata a senadora, apareceu em público às 4h00 para reivindicar a maior quantidade de votos na Província de Buenos Aires, a maior do país, e denunciar uma "vergonha" pela demora na apuração. "O resultado é que ganhamos", disse ela aos simpatizantes, que celebraram seu retorno à disputa eleitoral, 19 meses depois de deixar a presidência.

A votação foi de fato um plebiscito à gestão do governo. O macrismo superou a oposição em grandes distritos como Cidade de Buenos Aires (49% a 20%), assim como nas Províncias de Mendoza (41% a 33%) e Córdoba (46% a 28%). Mas o kirchnerismo reverteu uma desvantagem e aparecia na frente na estratégica Santa Fé (27,58% a 27,55%), com 95% das urnas apuradas.

Na Província de Buenos Aires, o macrismo aparecia com 34,27% dos votos, contra 34,01% para o kirchnerismo, com 90% das urnas apuradas, um resultado que confirma a importante base eleitoral da ex-presidente para sua candidatura ao Senado por um partido pequeno.

O pré-candidato a deputado kirchnerista Leopoldo Moreau denunciou que o governo estava "demorando deliberadamente" para divulgar o resultado no maior distrito, a Província de Buenos Aires, que tem quase 40% dos eleitores do país.

Macri, de 58 anos, comemorou o resultado no domingo à noite na sede da frente governamental Cambiemos (aliança da direita liberal e de social-liberais), ao lado de seus partidários. Mas ele admitiu que "os 19 meses (de governo) têm sido difíceis". "Se existisse alguma maneira de não aumentar as tarifas, a teria adotado. Mas o risco era ficar sem luz, gás, água e transporte", disse.

A oposição fez campanha contra os "tarifaços", a elevada inflação e o desemprego. Cristina, de 64 anos, será candidata a senadora em outubro por uma frente de centro-esquerda. O resultado da ex-presidente nas urnas era um dos principais interesses da imprensa nas primárias.

Na pequena Província de La Rioja, o ex-presidente de direita Carlos Menem (1989-99) foi o mais votado (43% a 32%) e superou o macrismo, mas não poderá disputar a eleição de outubro. Ele perdeu os direitos políticos depois de ter sido considerado culpado pela Justiça por contrabando de armas entre 1991 e 1995. Como não havia tempo de mudar o material de votação, seu nome permaneceu nas cédulas.

Cenário

Em outubro, os argentinos renovarão metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. Até agora sem minoria, Macri fechou alianças legislativas com peronistas afastados de Cristina (2007-2015).

Ela e alguns de seus ex-ministros são acusados de corrupção. Mas a Justiça também investiga Macri por aparecer com contas offshore no escândalo Panama Papers, entre outros casos.

A ex-presidente fundou este ano um partido de centro-esquerda, Unidade Cidadã. Ela se afastou do Partido Justicialista (PJ, peronista) que domina o Congresso. Sua campanha teve como lema "Assim não podemos continuar".

Cristina pediu o voto "dos que perderam o trabalho ou vivem com o temor de perdê-lo, dos que não chegam ao fim do mês com o salário ou não podem comprar comida como antes, ou pagar a luz, o gás e a água".

Macri está há um ano e meio no poder e não conseguiu cumprir a promessa de obter investimentos estrangeiros, que registraram queda de 50% em ritmo anual em 2016, segundo a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

A inflação disparou em 2016 e nos primeiros sete meses deste ano acumula 13,9%. O desemprego e a pobreza cresceram, enquanto a economia do país se encontra estagnada. No entanto, bancos, empresas de mineração e produtores de soja anunciam lucros bilionários. Macri defende que eliminou o controle cambial imposto por Cristina.

O presidente formou um gabinete de empresários, reduziu impostos do setor agropecuário e voltou a fazer dívida de bilhões de dólares para financiar o Estado, ferramenta que havia sido rejeitada pelo kirchnerismo. / AFP

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