AFP PHOTO / PRENSA CAMBIEMOS
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Macri toma bola nas costas em jogo do Boca

Governo associa opositor à ditadura no intervalo de partida que definiu campeonato

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2015 | 04h00

Um momento em que as casas de aposta indicam o conservador Mauricio Macri como favorito para liderar a Argentina a partir de 10 de dezembro, o kirchnerismo lança mão de táticas para virar um jogo difícil, sem preocupar-se com acusação de falta de fair play.

No domingo à noite, o Boca Juniors tornou-se campeão argentino após quatro anos. No intervalo da partida contra o Tigre, vencida por 1 a 0, transmitida pela TV Pública, uma propaganda comparou, no momento de maior audiência, o plano econômico de Macri ao anunciado em 1980 por um ministro da última ditadura argentina (1976-1973). Macri, que presidiu o Boca entre 1995 e 2007, viu a partida ao lado da mulher, Juliana Awada, e denunciou “jogo sujo” ao sair do estádio.

O vídeo de três minutos alterna frases do ministro Martínez de Hoz com promessas de campanha de Macri, prefeito de Buenos Aires há oito anos. Entre os projetos comuns estão a eliminação do controle sobre o câmbio, o fim das restrições a exportações e importações e o corte de subsídios a serviços públicos.  O vídeo que associa Macri ao regime militar era uma chamada para o programa 678, dedicado a atacar meios críticos ao governo e políticos da oposição. O governo de Cristina Kirchner nacionalizou as transmissões de futebol entre equipes argentinas em 2009. Os direitos pertenciam em parte ao Grupo Clarín, maior empresa de comunicação do país, que Cristina ainda tenta desmembrar com a Lei de Mídia. Desde então, o governo coloca o sinal à disposição de outros canais. Em geral o principal jogo da rodada ocorre às 21 horas e compete com parte do programa de Jorge Lanata, maior crítico do kirchnerismo. 

No primeiro turno, o governista Daniel Scioli jogou sem se expor, como um time que espera a partida acabar – não foi ao debate que teve os 5 opositores. No segundo turno, a situação se inverteu depois que Scioli alcançou 36,8% dos votos e Macri obteve 34,3%. A tendência hoje é que o opositor tenha o reforço da maior parte dos eleitores que não governistas.

Desde que a expectativa de vitória no primeiro turno foi frustrada, dia 25, o governo adotou a estratégia de ligar a coalizão Cambiemos, de Macri, aos piores momentos argentinos – a hiperinflação dos anos 80 e a crise de 2001 e 2002. 

A resposta de eleitores jovens de Macri nas redes sociais foi satirizar o caos previsto pelos governistas no caso de um triunfo conservador. Alguns posts: “Se Macri vencer, privatizará a água da chuva”, “se a direita ganhar, vão engarrafar o ar de Buenos Aires” e “se Macri ganhar, as semanas terão duas segundas-feiras”.


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