Horst Wagner/EFE
Horst Wagner/EFE

Macri pede tempo para tirar Argentina da crise

Presidente argentino disse em entrevista à agência de notícias EFE que está consciente de que tem que lidar com lideranças sindicais a ativismo social, e destacou que populismo causa ‘expectativas que não coincidem com a realidade’

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2016 | 14h13

BUENOS AIRES - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, se comprometeu, logo após chegar ao poder, em reduzir a inflação e o desemprego, além de erradicar a pobreza. Quase um ano depois, a realidade é que a inflação segue alta, o desemprego aumentou como consequência de demissões em massa nos setores públicos, e a pobreza cresceu.

Em entrevista à agência de notícias EFE, o líder argentino garantiu, com frases contundentes, que seu mandato não será um parêntese na Argentina e que recuperará o país. Ele está empenhado em acabar com a ideia de que a Argentina não tem conserto, embora saiba que precisa de tempo.

Os sindicatos declararam guerra à sua revolução conservadora. Há poucas semanas apedrejaram seu carro, o vaiaram e gritaram "Macri lixo, é a ditadura". Mas o presidente, que já sofreu uma arritmia e tem impressa no rosto esta tensão, resiste aos embates, e sabe que terá que lidar com as lideranças sindicais, o ativismo social, o conjunto de organizações de funcionários e, certamente, o peronismo, ou seja, o kirchnerismo.

Ele está ciente de que jamais um presidente não peronista chegou ao final de seu mandato. O desafio de acabar com este retrospecto não o assusta, porque é um homem acostumado a ganhar, mas também a sofrer. Em 1991, sofreu um sequestro de 12 dias que o marcou para sempre.

Com uma fortuna declarada de 110 milhões de pesos, Macri também foi o presidente mais bem-sucedido da história do Boca Juniors, com 17 títulos no currículo, e o prefeito mais bem avaliado de Buenos Aires.

Ele acredita que a receita para seu país está na estabilidade, em ser uma nação previsível, capaz de atrair o capital que fugiu com Cristina Kirchner e que ainda não voltou, e capaz de conseguir que o investimento do exterior retorne.

Populismo. Movimentos populistas como o partido espanhol Podemos causam "expectativas que não correspondem à realidade", afirmou Macri. "Sou crítico desses movimentos populistas porque já os vimos na Argentina quando governaram. E o que fazem é causar expectativas que depois não coincidem com a realidade. Isso provoca frustração, desgosto, violência e destrói o futuro", declarou.

Para Macri, "o populismo destrói futuro porque gasta as economias e cria infraestruturas para criar um ambiente de prosperidade no curto prazo". Segundo ele, "o populismo foi realmente uma desgraça para a Argentina e o é para qualquer país que caia em suas mãos, porque claramente o futuro se constrói com base no esforço pessoal de cada um".

Espanha. Sobre a falta de definição sobre um novo governo na Espanha, Macri disse que considera "muito impressionante o que está acontecendo" e definiu o caso como "inédito, e sobretudo com uma Espanha que se recupera economicamente".

Macri anunciou que visitará a Espanha no final de fevereiro de 2017 por ocasião da feira de arte Arco, na qual seu país será o "convidado de honra". "Acredito que primeiro vou eu, em fevereiro, à feira Arco", disse ele ao ser questionado se iria antes à Espanha ou se receberia uma visita do rei Felipe VI na Argentina.

Sobre as relações com a Espanha e suas expectativas de que os empresários do país invistam na Argentina, Macri argumentou que as duas nações são "irmãs".

Perguntado se gostaria que o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, continuasse a governar a Espanha, Macri afirmou que teve com ele "uma longa relação", o "respeita muito" e acredita que teve "uma atitude de muita coragem em um momento de crise, quando herdou o governo de Zapatero", e que "conseguiu conduzir a Espanha lentamente na direção correta". / EFE

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