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Macri planeja visitar Cuba após Obama

Nos dias 23 e 24, o líder argentino receberá o presidente Barack Obama, que decidiu ir a Buenos Aires justamente após uma histórica ida a Cuba no início da próxima semana

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 19h32

A chancelaria argentina organiza uma visita oficial do presidente Mauricio Macri a Cuba para o início de abril. A viagem, considerada "provável", segundo um funcionário da presidência e outro do ministério de Relações Exteriores disseram ao Estado, ocorreria depois de Macri passar por Washington para uma cúpula sobre energia nuclear. Nos dias 23 e 24, o líder argentino receberá o presidente Barack Obama, que decidiu ir a Buenos Aires justamente após uma histórica ida a Cuba no início da próxima semana. 

Segundo os jornais Clarín e La Nación, a meta da visita é se aproximar da abertura prevista para investimentos em Cuba e cobrar uma dívida de US$ 1,3 bilhão contraída nos anos 70. Macri não criticou durante a campanha diretamente o regime de Raúl Castro, embora o governo de Cristina Kirchner fosse próximo de Havana. Escolheu como alvo a administração do venezuelano Nicolás Maduro, o maior aliado do castrismo.   

Desde que assumiu, em dezembro, eleito por uma coalizão de centro-direita, Macri ameaçou pedir no Mercosul a suspensão de Caracas do bloco caso presos políticos não fossem soltos. Recuou depois de uma vitória da oposição em eleições parlamentares ter sido admitida pelo chavismo. A ida de Macri a Cuba, que isolaria mais a Caracas, foi discutida na semana passada pela chanceler argentina, Susana Malcorra, em Havana. 

A visita de Obama a Buenos Aires, decidida no último mês, foi qualificada pela Casa Branca como um reconhecimento à guinada na política externa argentina e às medidas de abertura da economia promovidas por Macri. O americano estará em solo argentino no dia 24, aniversário de 40 anos do golpe militar que instaurou a última ditadura (1976-1983). 

O secretário de Direitos Humanos argentino, Claudio Avruj, pressiona para que se peça aos EUA a abertura de arquivos secretos sobre o período. A solicitação havia sido feita a Macri pela organização Avós da Praça de Maio, que busca filhos de desaparecidos políticos. As líderes do grupo argumentam que pistas sobre as crianças tiradas dos pais e dadas em adoção no fim dos anos 70 poderiam estar nesses documentos e algumas poderiam hoje viver em território americano.

Estão marcadas para o dia 24 manifestações contrárias aos EUA, acusados de financiar e treinar militares que organizaram o golpe. A ideia de uma visita de Obama à Escola de Mecânica da Marinha (Esma), um antigo campo de detenção transformado em museu, foi revista. O presidente deverá participar de uma homenagem em um memorial dedicado às vítimas. Há planos para que ele visite a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), alvo de um atentado que matou 85 em 1994. 

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