AP Photo/Gustavo Garello
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Macri reconhece derrota e convida Fernández para transição na Argentina

Banco Central deve anunciar nesta segunda-feira medidas para endurecer o controle sobre o câmbio

Rodrigo Cavalheiro, enviado especial a Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 22h49

BUENOS AIRES - O presidente Mauricio Macri reconheceu às 22h25 deste domingo, 27, a vitória do peronista Alberto Fernández nas eleições da Argentina. Com 89% das urnas apuradas, o futuro presidente tinha 47,8%, enquanto que o atual obtinha 40,6%. "Falei com ele há pouco e o convidei para um café na Casa Rosada amanhã", afirmou Macri. 

O Banco Central deve anunciar nesta segunda-feira medidas para endurecer o controle sobre o câmbio. A perspectiva de vitória peronista, numa chapa que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, levou a uma desvalorização de 5% na moeda apenas na última semana. O convite para um encontro entre os dois diminui a tensão após rumores de uma transição conturbada.

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Um dos planos de Fernández para estancar a crise econômica é um plano de congelamento de preços por 180 dias e garantir um aumento salarial de emergência – a inflação acumulada no último ano está perto de 60%.

A eleição garante a Cristina uma cadeira no Senado, o que também assegura a ela imunidade parlamentar. A ex-presidente enfrenta uma série de acusações de corrupção.

O partido de Macri manteve o controle da capital, com a reeleição de Horacio Rodríguez Larreta. Na Província de Buenos Aires, onde o ex-ministro da Economia de Cristina, Axel Kicillof, foi eleito com folga, em uma derrota importante para Macri. Os argentinos renovaram ainda 130 dos 257 deputados e 24 dos 72 senadores.

De baixo perfil e há anos afastado da política ativa, Alberto Fernández se tornou a surpresa da campanha eleitoral da Argentina. Peronista moderado e pragmático, está prestes a chegar à presidência, alavancado pela ex-presidente e companheira de chapaCristina Kirchner.

Advogado de 60 anos, ele chegou às eleições como franco favorito, depois de obter 47% dos votos nas primárias de agosto, apoiado por uma oposição peronista unificada. Um resultado surpreendente para alguém que disputou uma eleição popular apenas uma vez, em 2000, nas legislativas da cidade de Buenos Aires. 

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