FAUBA-23|3|2015
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Macri reitera promessa de liberar taxa de câmbio

Presidente eleito fala em mudança no comando do Banco Central e aproximação do Mercosul com o recém-formado bloco do Pacífico

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2015 | 22h56

O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, afirmou na manhã de ontem que aguarda sua primeira reunião do Mercosul com expectativa. “O Mercosul precisa avançar nos acordos com a União Europeia (UE) e convergir para uma aliança com o Pacífico e aumentar o intercâmbio em geral”, afirmou.

Macri demonstrou vontade de destravar a negociação do bloco com a UE, na qual a Argentina atualmente é o maior empecilho, e foi claro em seu plano de se aproximar da Parceria Transpacífica (TPP), acordo comercial firmado por 12 países.

“Os dois têm diferenças fortes. O Mercosul está muito fechado, enquanto o bloco do Pacífico tem outro perfil, muito mais aberto”, avalia o economista Dante Sica, da consultoria Abeceb, que mantém uma observação regular das relações comerciais entre Brasil e Argentina. “O caminho seria ver no que o Mercosul pode se aproximar, pois já esteve muito tempo paralisado. Uma das razões era a falta de uma definição na eleição argentina. O setor privado brasileiro hoje exige alternativas e será difícil para o governo brasileiro resistir a essa aproximação”, afirma Sica.

Macri detalhou seus planos para outros setores da área econômica. Destacou que não terá um ministro da Economia, mas um gabinete para o setor com seis pastas (Fazenda e Finanças, Trabalho, Energia, Produção, Transporte e Agricultura). Dois nomes fortes para ocupar a primeira delas são os economistas Rogelio Frigerio e Alfonso Prat-Gay.

Dólar. Em sua primeira entrevista após a vitória de domingo sobre o governista Daniel Scioli, o conservador reafirmou a promessa de liberar o controle sobre o câmbio, vigente desde 2011, mas suavizou o prazo e a forma. Ele disse durante a campanha que a mudança vigoraria no primeiro dia de governo. Ontem, reafirmou que as restrições ao câmbio “são um erro”, mas falou em “camadas”, o que poderia sugerir o uso de diferentes cotações por setores durante um período de transição.

“Ninguém vai investir num país que tenha controle cambial, de capitais e das importações”, disse ao Estado Lucio Castro, diretor de Desenvolvimento Econômico do Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Igualdade e o Crescimento (CIPPEC).

Macri defendeu um Banco Central independente e reiterou o pedido de renúncia do atual presidente, Alejandro Vanoli, a quem considera um militante kirchnerista. Vanoli é alvo de uma investigação por vender “dólar futuro” em larga escala, em uma manobra para minimizar as perdas do país em reservas, estimadas em US$ 25,9 bilhões. “Hoje, não há política monetária no país. O Banco Central é escravo do Tesouro. Se aumentar o gasto, aumenta a emissão de moeda”, afirmou Castro.

O presidente eleito, que põe fim a um ciclo de 12 anos do kirchnerismo, foi mais flexível quanto à continuidade de Miguel Galuccio à frente da petrolífera estatal YPF. “Ainda vamos tomar a decisão”, afirmou, salientando uma diferença em relação a outros setores, que a seu ver tiveram nomeações improvisadas.

O Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec) perdeu credibilidade durante os 12 anos de kirchnerismo. A inflação, estimada em 14% por ano pelo governo, está em cerca de 25% segundo consultorias. O porcentual de pobreza deixou de ser medido “para evitar estigmatização”, nas palavras do ministro da Economia atual, Axel Kicillof. Macri afirmou “não haver menos de 13 milhões” de argentinos nessa situação.

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