REUTERS/Jorge Adorno
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Macri responde a pressao judaica em casos Nisman e Amia

Em uma reunião de líderes judaicos com Macri antes de sua posse, em 10 de dezembro, o líder argentino prometeu avanços no caso

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 20h51

O presidente argentino, Mauricio Macri, discursou na noite desta terca-feira, 15, na primeira reunião do Congresso Mundial Judaico na América Latina. O encontro foi marcado para Buenos Aires, segundo os próprios organizadores, para pressionar pelo esclarecimento da autoria de dois atentados e da morte do promotor Alberto Nisman.

O país sofreu em 1992 um ataque contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, no qual morreram 22. Em 1994, o alvo foi a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), com 85 mortos. O promotor, que investigava esse atentado havia dez anos, foi encontrado com um tiro na cabeca em seu apartamento, no bairro de Puerto Madero, em 18 de janeiro de 2015. 

"Ninguém engoliu o que ocorreu com o promotor. A presença de Macri é uma esperanca de que isso seja esclarecido", disse o presidente do Congresso Judaico Latino-americano, o brasileiro Jack Terpins. 

Em uma reunião de líderes judaicos com Macri antes de sua posse, em 10 de dezembro, o líder argentino prometeu avanços no caso. Desde que assumiu a Casa Rosada, a promotora que conduzia a investigação foi afastada e agora responde criminalmente por negligência, a juíza que assumiu em seu lugar pediu afastamento e solicitou o envio do caso para a Justiça Federal por indícios de homícidio. Até  então, as perícias e declarações oficiais indicavam suicídio.

Macri falou inicialmente em inglês, língua oficial do evento, soltou um "shalom", fez um chamado ao diálogo e logo foi direto. "Sofremos as consequências de duas bombas. Há um ano, morreu um promotor que tinha feito uma denúncia  grave sobre as circunstâncias de um dos ataques. Estamos dispostos a ajudar em tudo o que for possível nas investigações. Não foi somente um ataque antisemita, foi um ataque à Argentina".

Ontem, foi divulgada a íntegra da última entrevista de Nisman, dada na noite do dia 16 de janeiro de 2015 à Agencia Judía de Noticias. Nela, o promotor menciona uma gravação que poderia ser ouvida por todos os argentinos e seria uma "prova definitiva" de suas acusações contra a presidente Cristina Kirchner e a cúpula do governo anterior. 

Nisman foi encontrado morto quatro días depois de acusar o grupo de fazer um pacto com Teerã cujo interesse seria proteger altos funcionários iranianos apontados como autores do atentado contra a Amia, em troca de vantagens comerciais para a Argentina. As gravações conhecidas não foram consideradas suficientes pela Justiça para sustentar essa tese e sua denúncia  foi arquivada. 

O governo de Macri abandonou o esforço do governo anterior para sustentar a constitucionalidade do acordo com o Irã - que oficialmente previa o depoimento dos acusados em território iraniano, em uma espécie de Comissão da Verdade. Ao manter a validade do pacto, mesmo sem que tenha sido aplicado, Cristina tentava enfraquecer a teoria de Nisman de que ele era apenas uma fachada para negócios.

Durante o congresso, o presidente paraguaio, Horacio Cartes, receberá uma homenagem por ter impedido com seu voto que o Mercosul condenasse os ataques de Israel a Gaza em julho de 2014. 

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