Enrique Marcarian/Reuters-24/6/2007
Enrique Marcarian/Reuters-24/6/2007

Macri sonha com a presidência, mas é rejeitado até pelo pai dele

Nome forte da oposição despontou como menino-prodígio, mas hoje patina na imagem de magnata frívolo

, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Desde que foi candidato pela primeira vez à prefeitura de Buenos Aires, em 2003, Mauricio Macri, do partido Proposta Republicana (PRO), de centro-direita, passou a ser considerado um presidenciável. Ex-presidente do clube de futebol Boca Juniors e filho de um dos maiores ícones do capitalismo argentino nos anos 90, Macri conquistou a prefeitura portenha em 2007 e consolidou-se como um dos principais líderes da oposição. Ele era apresentado como o "administrador", em contraposição à velha classe política.

No entanto, o prefeito enfrenta insólitos percalços. Um deles foi provocado por seu pai, Franco Macri, que declarou recentemente: "Pelo lado afetivo, votaria em meu filho. Mas, se votar de forma racional, votaria em (Néstor) Kirchner."

O empresário não esconde que considera o filho um garoto mimado e não perde oportunidades para tecer elogios rasgados sobre o casal presidencial. Dias depois das declarações de Franco, Mauricio - que anos atrás definiu o pai como seu "principal inimigo" - apareceu com um olho roxo. Os boatos indicavam que o hematoma teria sido causado numa briga com seu irmão Mariano, que está do lado do pai.

Gabriela Cerruti, autora de El Pibe (O Garoto), biografia não autorizada do prefeito, diz que Macri "não passa de um homem que quis ser empresário de sucesso, fracassou, e refugiou-se no Boca Juniors e na política para fugir do pai todo-poderoso".

Para complicar, Macri é acusado de ordenar grampos telefônicos para espionar políticos. Ele está à beira do julgamento político e corre o risco de sofrer um impeachment. De quebra, desde agosto a cidade é abalada por manifestações de estudantes que ocupam mais de 30 escolas e faculdades para protestar contrao péssimo estado dos estabelecimentos de ensino.

No meio de crises, Macri reage com viagens. Assim ocorreu com o surgimento da ameaça de julgamento político, quando decidiu esquiar na Cordilheira dos Andes. Há duas semanas, enquanto os estudantes ocupavam estabelecimentos educativos, o prefeito partiu para Roma.

Até o casamento de Macri tornou-se questão de Estado. O prefeito namora a milionária Juliana Awada, empresária do setor da moda, com a qual pretende se casar em novembro.

Mas seus assessores tentam convencer o também milionário Macri a realizar uma festa modesta, para evitar acusações de ostentação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.