AP e EFE
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Macri surpreende Scioli e leva eleição argentina para o segundo turno

Nova disputa entre candidato kirchnerista e opositor conservador ocorrerá em novembro; país terá segundo turno pela 1ª vez na história

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 01h20

(Atualizada às 14h) BUENOS AIRES - O conservador Mauricio Macri surpreendeu o kirchnerismo e levou com folga a eleição argentina para um segundo turno inédito. Conforme dados atualizados ao meio-dia desta segunda, 26, o governista Daniel Scioli obtinha 36,8% e Macri tinha 34,3%, contrariando todas pesquisas e a boca de urna do próprio conservador, que apontavam uma vitória mais ampla de Scioli. Se Macri mantiver esse votos e conseguir a maior parte dos dados aos outros quatro opositores, será eleito em 22 de novembro. 

Um péssimo resultado kirchnerista na Província de Buenos Aires, em razão da impopularidade de Aníbal Fernandez, chefe de gabinete de Cristina e candidato a governador, era a explicação na campanha sciolista para o desempenho negativo. Ele perdeu o governo historicamente peronista para Maria Eugenia Vidal, a candidata de Macri, da coalizão Cambiemos. Como a região tem 37% dos votos do país, isso puxou Scioli para baixo. "Houve fogo amigo", justificou Fernández na manhã desta segunda, referindo-se à disputa interna que venceu na primária de agosto. Ele expôs a falta de unidade na campanha governista, o que pode atrapalha a estratégia para o segundo turno.

O sinal de que os números não eram os que o governo esperava veio às 23h30 de domingo, 25, quando Scioli convocou indecisos em seu discurso, indicando que esperava um segundo turno. Um Scioli de semblante cansado repetiu mecanicamente promessas de campanha. "Se fosse por Macri, não teríamos a bolsa universal por filho", disse, referindo-se ao principal plano social de Cristina Kirchner. O ataque a Macri foi outro sinal de que ele esperava seguir em campanha. Confuso, Scioli prometeu voltar em uma hora, com dados consolidados. Desapareceu.

No comitê de Macri, a animação era de quem também foi surpreendido pelo resultado. Ele falou à 1h desta segunda-feira e pediu a união dos votos opositores em torno dele. "Chamo até mesmo aos eleitores de Scioli", disse. "Vamos representar essa massa que quer mudança", disse Ernesto Sanz, possível de ministro de Justiça de Macri. 

Para ganhar em primeiro turno, Scioli deveria chegar a 40% e abrir 10 pontos sobre o segundo. O ex-kirchnerista Sergio Massa, da coalizão UNA, ficou em terceiro. "Sabemos qual nosso papel e qual nossa responsabilidade em relação ao futuro da Argentina. Vamos provar que é possível fazer uma nova política. Vamos no caminho de construir uma mudança positiva", disse em discurso, feito depois de Scioli e antes de Macri. Ele obteve 21% dos votos, o que o torna alvo de aproximação dos dois finalistas. 

Massa não se posicionou, mas ficou muito mais próximo de Macri do que do governista. Ele rompeu com o governo em 2013 e formou uma frente que ganhou a eleição parlamentar daquele ano, barrando o projeto de Cristina para um terceiro mandato.

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