Macrismo defende vítimas de assaltos que mataram ladrões

Em meio a críticas à economia, atitude do governo foi bem recebida pela classe média da Grande Buenos Aires

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

18 de setembro de 2016 | 03h00

Dois casos de vítimas de assalto que mataram os ladrões aumentaram a tensão política na Argentina e desviaram o foco da crise na economia, depois que o governo de Mauricio Macri saiu em defesa das vítimas.

Na quinta-feira, o próprio presidente argentino pediu a libertação de um açougueiro que na véspera, alvo de disparos, perseguiu e atropelou o jovem que fugia com seus 5 mil pesos (R$ 1 mil). O ladrão foi esmagado contra o poste de um semáforo. Dezenas de vizinhos o chutaram antes que morresse.

“Há graves casos de insegurança que levam ao desespero, como o açougueiro, que independentemente da investigação da Justiça, se não há risco de fuga, porque é um cidadão de bem e querido pela comunidade, deveria estar com sua família”, afirmou Macri à rádio La Red. O açougueiro foi solto no dia seguinte. Se disse arrependido e argumentou que só queria recuperar o dinheiro. A defesa sustenta que ele agiu sob emoção, tentou frear e houve um acidente de trânsito. 

O caso ganhou repercussão nacional porque, 20 dias antes, um médico disparou contra um assaltante desarmado. Ele buscou sua pistola em outro ambiente, o que dificulta a alegação de legítima defesa. A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, disse que deveria se “cuidar da vítima”. Em ambos os episódios, manifestantes pediram a liberdade dos detidos. Cartazes sugeriam “legítima defesa do patrimônio”.

A iniciativa do governo foi bem recebida em manifestações da classe média da Grande Buenos Aires. “São eles ou nós. A criminalidade é fruto dos 12 anos de populismo de Cristina, que amparava os criminosos. Não acho que Macri tenha pressionado a Justiça”, disse o comerciante Martín Reyes, isolado por uma grade em sua loja de papéis e plástico em Quilmes.

O sociólogo Pablo Alabarce, da Universidade de Buenos Aires (UBA), diz que esse apoio popular não é unânime, embora seja a parte mais visível na cobertura. “É básico que o uso da força esteja na mão do Estado. Se o presidente aceita que se mate o ladrão, é o fim. Este governo pode não ser populista na economia, mas politicamente é tanto quanto o de Cristina.”

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