REUTERS/Jean-Paul Pellisier
REUTERS/Jean-Paul Pellisier

Macron atrai voto jovem, mas não evita protestos 

Parte desse grupo diz se identificar com o ex-ministro, enquanto outra protesta contra ‘crise de representatividade’

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

23 Abril 2017 | 21h46

Jovens se dividiram na noite deste domingo, 23, em Paris entre os partidários do movimento En Marche! que festejaram na margem sul do Rio Sena a vitória no primeiro turno de Emmanuel Macron, de 39 anos, e grupos de black blocs que enfrentaram a polícia na margem norte, insatisfeitos com o resultado. O maior grupo se reuniu no parque de exposições de Porte de Versailles, onde uma festa foi organizada para receber o favorito para comandar o Palácio do Eliseu.

Com bandeiras da França e da União Europeia, e muitos vestindo camisetas azuis, rosa e amarelo, as cores da campanha de Macron, militantes do ex-ministro da Economia festejaram com euforia às 20 horas (15 horas em Brasília), quando foi divulgada a pesquisa de boca de urna que confirmou a vitória do fundador do En Marche!

Para Nathan Denis, de 22 anos, estudante de engenharia, trata-se de uma oportunidade única de impor uma nova geração na vida política do país. “Macron é jovem e eu me reconheço nele. É o único que não tinha uma função política antes que eu nascesse. Ele é mais conectado com a realidade do que todas as personalidades políticas que estão na vida pública há décadas”, afirmou. 

Para Denis, é preciso estar atento à cólera demonstrada pelos eleitores de extrema direita e de esquerda radical e também fazer campanha para que, além de chegar ao poder, Macron possa eleger uma bancada forte no Parlamento. 

Jimmy Messineo, jurista de 27 anos e eleitor de pequenos partidos centristas, comemorou o resultado de Macron em especial pela defesa da União Europeia. “Eu me reconheci em Macron na defesa da União Europeia e em seu projeto progressista, que vai da esquerda à direita”, afirmou, lembrando do desafio de vencer Marine Le Pen no segundo turno, após a extrema direita registrar o melhor desempenho de sua história na França. “Nunca estivemos tão incertos sobre o resultado das eleições, mas tenho confiança nos franceses, que farão uma escolha pensando em seu futuro.”

Argentino de nascimento e cidadão francês, Sebastian Y., de 40 anos, responsável comercial, também se juntou à multidão que se reuniu para saudar Macron. Sebastian disse acreditar no plano macroeconômico e global e a França estará bem representada. Além disso, ressaltou que o apoio incondicional do fundador do En Marche! à União Europeia é essencial. 

“Acredito na Europa. Faz quase 60 anos que estamos construindo a União Europeia. Ela não é perfeita, mas não seria inteligente quebrar tudo o que foi feito”, argumentou.

Enquanto a festa prosseguia no sul da capital, protestos e confrontos de rua ocorriam na Praça da República, no centro da cidade. Grupos identificados como “antifascistas” se reuniram no fim da tarde em torno da Praça da Bastilha, e de lá seguiram para o bairro vizinho, onde enfrentaram as tropas de choque da polícia. Um dos organizadores do protesto convocava as pessoas próximas a se manifestar “contra Marine e contra Macron”. “Qualquer que seja o resultado, não o reconheçamos”, exortou.

Entre as centenas de manifestantes, que reclamavam do que chamam de “crise de representatividade” na França, muitos usavam máscaras. Coquetéis molotov foram usados para atacar os agentes das forças de segurança e para depredar estabelecimentos comerciais da região. Três pessoas foram presas. 

 

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