Valda Kalnina/EFE/EPA
Valda Kalnina/EFE/EPA

Macron decide se reunir com líder opositora bielo-russa e eleva pressão sobre Lukashenko

Svetlana Tijanovskaya pediu que presidente francês atue como mediador da crise política

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2020 | 17h05

VILNIUS, LITUÂNIA - O presidente francês Emmanuel Macron se encontrará com a líder da oposição bielo-russa Svetlana Tijanovskaya na terça-feira, 29. Esta será a primeira vez que um líder ocidental de alto escalão se reunirá com Tijanovskaya, exilada em Vilnius, capital da Lituânia.

No domingo, na véspera de sua visita de três dias à Lituânia e à Letônia, Macron pediu a saída do presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, apoiado por Vladimir Putin. 

"O que está acontecendo na Bielo-Rússia é uma crise de poder, um poder autoritário que não pode aceitar a lógica da democracia e se apega à força. É claro que Lukashenko deve sair", disse Emmanuel Macron ao Journal du Dimanche

Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos se recusam a reconhecer a eleição de Lukashenko, considerada fraudulenta, e condenam a repressão a uma onda de manifestações sem precedentes.

A polícia bielo-russa deteve outras 200 pessoas no domingo, quando milhares de pessoas protestaram novamente. 

Nesta segunda-feira, em entrevista à Agência France Press, Svetlana Tijanóvskaya pediu ao presidente francês para desempenhar o papel de mediador para resolver a crise política bielo-russa.

"Precisamos desesperadamente de mediação para evitar que mais sangue seja derramado. O senhor Macron pode ser esse mediador, junto com os líderes de outros países. Ele pode influenciar Putin, com quem tem boas relações", disse Tijanóvskaya à Agência France Press.

Este primeiro encontro com um líder internacional será para Tijanovskaya "uma confirmação importante", ressaltou a oposição. 

A Lituânia, que juntamente com outros Estados bálticos lançou um procedimento de sanções contra personalidades bielo-russas, espera o apoio do presidente francês. 

A crise deve dominar as conversas de Macron nesta segunda-feira com seu homólogo lituano Gitanas Nauseda, que apoia a oposição bielo-russa. A França pede uma transição pacífica no país que leve em conta a vontade da população, "evitando o risco de mais repressão ou mesmo a intervenção da Rússia", segundo o Eliseu. 

Além da crise na Bielo-Rússia, os países bálticos também esperam que o presidente francês dê um forte apoio para enfrentar as pressões de Vladimir Putin. 

O presidente francês também aproveitará a visita para se encontrar com tropas da OTAN na região, visitando a base lituana de Rukla, onde estão 300 soldados franceses integrados em um batalhão internacional da OTAN. /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.