Ahmad Gharabli/AFP
Ahmad Gharabli/AFP

Macron discute com policiais israelenses na Cidade Velha de Jerusalém

Presidente francês se irritou com presença ostensiva dos agentes de segurança durante sua visita à Igreja de Saint-Anne, considerado território francês dentro de Israel

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2020 | 18h30
Atualizado 22 de janeiro de 2020 | 19h39

JERUSALÉM - O presidente da França, Emmanuel Macron, discutiu nesta quarta-feira, 22, com policiais israelenses em Jerusalém durante visita à Igreja de Saint-Anne, que é considerada território francês dentro de Israel. Ele teria se irritado com a presença ostensiva dos agentes de segurança. “Todo mundo sabe as regras, e eu não gostei do que vocês fizeram. Vão embora”, ordenou Macron.

De acordo com o jornal Jerusalem Post, o presidente não gostou de ver um grupo de policiais israelenses controlando a passagem da comitiva francesa. Já o Figaro disse que a confusão começou porque Macron fez visitas inesperadas a pontos importantes do centro histórico de Jerusalém – um procedimento-padrão em visitas de chefes de Estado à cidade.

"Vamos manter a calma, fizemos uma caminhada maravilhosa, vocês fazem um bom trabalho na cidade e eu agradeço, mas, por favor, respeitem as regras estabelecidas há séculos, elas não vão mudar comigo", acrescentou. "É a França aqui, e todo mundo conhece a regra."

A Igreja de Saint-Anne, construída pelos cruzados no século 12 e oferecida pelo Império Otomano à França em 1856, é um dos quatro territórios franceses de Jerusalém. A França vê como provocação a entrada da polícia israelense no complexo da igreja, localizada na parte de Jerusalém capturada e anexada por Israel na Guerra de 1967.

Na mesma igreja, em 1996, o então presidente francês Jacques Chirac também perdeu a paciência e se enfureceu contra soldados israelenses que o enquadraram muito de perto. Ele só entrou na igreja depois que os soldados israelenses deixaram o local. 

Macron, de 42 anos, é um dos vários líderes mundiais convidados para o Fórum Mundial do Holocausto, nesta quinta-feira, no centro e memorial do Holocausto de Yad Vashem, em Jerusalém. O evento faz parte das celebrações que marcarão o 75º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz

O chefe de Estado viu sua visita a St. Anne como uma parada simbólica, sublinhando a influência histórica da França na região. Antes de ir para a igreja, Macron atravessou a Cidade Velha de Jerusalém, parando na Igreja do Santo Sepulcro. Mais tarde, ele visitou o Santuário Nobre Muçulmano, que abriga a mesquita de Al-Aqsa, um local reverenciado pelos judeus como Monte do Templo, e orou no Muro das Lamentações, tocando as pedras antigas.

Nesta quarta-feira, poucas horas antes da chegada de Macron, uma confusão aconteceu entre membros do grupo responsável por sua segurança e um integrante das forças de segurança israelenses, segundo jornalistas no local. /Reuters e AFP

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