EFE/YOAN VALAT
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Macron diz que luta contra 'terrorismo islamita' é sua prioridade diplomática

Em discurso para mais de 150 embaixadores no Palácio do Eliseu, presidente francês afirmou que segurança de seus cidadãos é 'razão de ser' da diplomacia do país, pediu a erradicação do financiamento de grupos terroristas e reiterou apoio ao acordo com Irã

O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 12h52

PARIS - Diante de mais de 150 embaixadores franceses reunidos no Palácio do Eliseu, o presidente da França, Emmanuel Macron, colocou nesta terça-feira, 29, a luta contra o "terrorismo islamista" no centro da diplomacia francesa, na primeira vez em que delineou as prioridades de seu governo para a política externa.

"A segurança dos franceses é a razão de ser da nossa diplomacia, esta exigência é visceral e devemos responder a ela sem esmorecer", disse o chefe de Estado. Estabelecendo "três eixos fortes" - a segurança, a independência e a influência da França -, Macron ressaltou sua vontade de ver uma França "retomando sua posição entre as nações" e "capaz de se fazer ouvir".

Desde sua chegada ao poder em maio, o presidente se fez notar no cenário internacional com declarações que seduziram, ou irritaram, mas esta foi a primeira vez que desenhou os contornos de sua política externa.

"A luta contra o terrorismo islamita é a primeira prioridade de nossa política externa. Sim, eu falo de um terrorismo islamita e assumo perfeitamente o emprego deste adjetivo", declarou. "Não podemos cair na ingenuidade, nem em um medo do islã que confunda islamista com islâmico", completou. 

A França foi alvo desde 2015 de uma série de atentados islamistas sem precedentes que deixaram 239 mortos e centenas de feridos.

"A erradicação do terrorismo passa também por acabar com o financiamento destes grupos", afirmou Macron, ao anunciar a organização de uma conferência de mobilização contra o financiamento do terrorismo para o início de 2018, em Paris.

"O Daesh (acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico) é nosso inimigo", ressaltou Macron, acrescentando que "o retorno da paz e da estabilidade no Iraque e na Síria é uma prioridade vital para a França".

Macron, que havia chocado a oposição síria em junho ao dizer que não enxergava um sucessor legítimo ao presidente Bashar Assad, assegurou que "a reconstituição de um Estado de direito na Síria deve ser acompanhada pela justiça aos crimes cometidos, principalmente pelas autoridades".

Sobre outros países onde a França está engajada nessa luta, Macron anunciou a nomeação de um enviado especial para o Sahel e a organização de uma reunião no final de setembro sobre a Líbia, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Sobre o Oriente Médio em geral, o chefe de Estado francês se recusou a escolher entre os dois rivais regionais, a Arábia Saudita sunita e o Irã xiita, e reafirmou o compromisso da França com o acordo nuclear de 2015 com Teerã.

Acordo Nuclear

Macron também usou seu discurso para defender o "apego" da França ao acordo nuclear assinado com o Irã em 2015, dizendo que "não há alternativa".

Firmado pela República Islâmica e seis potências mundiais - Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha -, o acordo prevê que o Irã limite seu programa nuclear e uso civil em troca de um levantamento progressivo das sanções internacionais contra o país.

O presidente americano, Donald Trump, contrário ao acordo - negociado por seu antecessor, Barack Obama -, já ameaçou em diversas ocasiões romper o pacto. Ele também promoveu recentemente uma série de sanções jurídicas e financeiras contra o Irã que não tem relação direta com atividades nucleares.

Teerã ameaçou abandonar rapidamente o acordo nuclear se os EUA perseguirem com sua "políticas de sanções". / AFP

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