Bertrand Guay / AFP
Bertrand Guay / AFP

Macron, 'futuro líder da Europa'

Líder francês é um sopro de juventude nessa União Europeia envelhecida

Gilles Lapouge, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 05h00

É uma grande honra para um político do Velho Continente sair na capa da revista americana Time. Na França, o único contemplado com a distinção havia sido o presidente François Mitterrand. Hoje, um outro entra na galeria: o atual presidente, Emmanuel Macron, e com mais méritos do que Miterrand. Este era um ator veterano, enquanto Macron era um desconhecido até dois anos atrás. Chegou à cadeira de presidente após uma trajetória meteórica, sempre sorrindo, na tenra idade de 40 anos.

Num agrado extra, Time apresenta Macron como “o futuro líder da Europa”. A revista acertou em cheio. A escalada de Macron tem de cara esse sentido. Ele é um sopro de juventude nessa União Europeia envelhecida, cujos partidários são cada vez menos entusiastas.

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Nas mais recentes eleições presidenciais francesas, dos seis candidatos na disputa, cinco eram hostis, moderada ou violentamente, à UE. Só um era partidário, com paixão e energia: Macron. Mas ele não era só favorável ao bloco. Acrescentava que a União Europeia é uma máquina enferrujada, que Bruxelas se afoga na burocracia, nas formalidades, nos lobbies e na estupidez. Que é preciso reconstruir tudo, do alicerce ao telhado.

De fato, a UE se encontra em estado lastimável. Neste ano, vimos a separação de um de seus maiores pedaços, a Grã-Bretanha. Como países importantes, sobraram a Alemanha e a França. Há anos se diz que o motor franco-alemão puxa a Europa. É verdade, com a ressalva de que esse motor é muito mais alemão, pois os três últimos presidentes franceses eram fracos demais se comparados a Angela Merkel: Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande.

O motor franco-alemão voltará a funcionar? Não é certo. Enquanto Macron pode ser comparado a um motor de Fórmula 1, o motor alemão (Merkel) parece um pouco cansado, rateando nas ladeiras mais íngremes. Por quê? Não em razão de Merkel, que continua a mesma. Acontece que ela perdeu nas últimas eleições legislativas a autoridade absoluta que exercia sobre a Alemanha e a Europa.

Se venceu as legislativas, foi sem brilho. Merkel vai formar o governo, é verdade, mas os socialistas, que até aqui governavam com ela, decidiram sair da coalizão. Assim, Merkel será forçada a se aliar a partidos que estão longe de compartilhar seus pontos de vista, particularmente sobre a UE. Como, então, poderá ela continuar no papel de líder do bloco de se compor com ministros frios no que se refere à Europa?

Acabamos de presenciar um exemplo impressionante desse súbito mutismo da Alemanha sobre a Europa. Desde segunda feira, 23 dos 28 Estados que constituem a UE estão reunidos em Bruxelas para se debruçar sobre a Europa e a Defesa comum, um tema capital. Nesse campo, o balanço da UE é nulo. Além disso, Donald Trump decidiu que os EUA não mais promoverão sozinhos a segurança do mundo, tirando do circuito os soldados e os dólares americanos. 

A Europa viu-se condenada a adotar finalmente uma organização comum de defesa. Em vista desse impasse, o que fez Merkel? Nada. Ficou negociando com os pequenos partidos alemães que poderiam fazer parte de seu futuro governo. É uma bela ocasião para os franceses assumirem o controle do ônibus europeu, tomarem energicamente o volante e delegarem a Merkel, por exemplo, a incumbência de calibrar os pneus. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

É CORRESPONDENTE EM PARIS

 

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