EFE/YOAN VALAT
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Macron define regime de Maduro como 'ditadura' na Venezuela

Presidente da França disse que proporá a vizinhos na América Latina e a países europeus um esforço diplomático para evitar o contágio da crise política, institucional e econômica em curso em Caracas

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 13h37
Atualizado 29 Agosto 2017 | 18h02

PARIS - O presidente da França, Emmanuel Macron, definiu nesta terça-feira, 29, o regime em vigor na Venezuela como "ditadura", definindo a forma como o país será tratado daqui para a frente. A declaração foi feita em discurso aos 170 embaixadores franceses no mundo, reunidos em Paris para o encontro anual que estabelece as prioridades da política externa nacional. Macron disse ainda que será necessário trabalhar com os governos da América Latina e da Europa para evitar uma "escalada regional".

A reunião entre o chefe de Estado e seus embaixadores pelo mundo é uma tradição da política externa na França. Macron pronunciou seu primeiro discurso aos representantes diplomáticos nesta terça, definindo a luta contra o terrorismo e seus meios de financiamento como prioridade de seu governo no exterior.

Em um discurso que durou mais de 45 minutos não houve nenhuma referência ao Brasil. Mas a Venezuela foi objeto de atenção. "Que me seja permitido dizer o quanto a crise na Venezuela é preocupante", advertiu o presidente. "Uma ditadura tenta sobreviver ao preço de um desastre humano sem precedente de radicalização ideológica inquietante, mesmo que os recursos desse país continuem consideráveis."

Para Macron, é chegado o momento de buscar alternativas para evitar que a crise venezuelana tenha repercussões fora de suas fronteiras. "Eu desejo refletir, com os governos da América Latina e da Europa, sobre a maneira de evitar novas escaladas, inclusive regionais", disse o presidente a seus embaixadores.

A crise na Venezuela também foi usada para criticar a oposição interna na França. Em uma referência indireta ao líder do partido de esquerda radical França Insubmissa (FI), Jean-Luc Mélenchon, Macron atacou de forma velada os políticos que não se posicionam sobre o regime de Nicolás Maduro na Venezuela. "Nossos concidadãos não compreendem as complacências de alguns quanto ao regime que se instala na Venezuela."

A situação em Caracas interessa a França não só pelo estado da economia e da sociedade do país, mas também por suas possíveis implicações regionais. O governo francês teme que a crise econômica, política e institucional se reproduza em países vizinhos, assim como a postura do presidente Maduro e a violência dos confrontos que já deixaram 130 mortos nos últimos quatro meses de manifestações.

Embora a situação da América Latina tenha sido objeto de uma referência, Macron deixou claro que a prioridade da diplomacia francesa em seu governo será enfrentar o jihadismo islâmico. Para tanto, anunciou o presidente, uma conferência sobre o combate ao financiamento do terrorismo será realizada em 2018. "Garantir a segurança dos nossos concidadãos faz da luta contra o terrorismo islâmico a prioridade de nossa política externa", disse, reiterando: "Estou falando de terrorismo islâmico, e eu assumo plenamente o uso dessa adjetivo".

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