Joseph Eid/AFP
Joseph Eid/AFP

Macron inicia viagem ao Líbano em encontro com diva Fairouz

Cantora é um símbolo nacional e uma das raras figuras amadas e respeitadas em todo o país

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 18h56
Atualizado 27 de outubro de 2020 | 19h57

BEIRUTE - O presidente francês Emmanuel Macron retornou ao Líbano nesta segunda-feira, 31, para uma visita de dois dias, durante a qual pretende discutir a crise sem precedentes que assola o país.

Sua primeira reunião, no entanto, não foi com o novo premiê, escolhido horas antes, nem com políticos ou ativistas da sociedade civil. O presidente decidiu se encontrar com a diva número 1 do Líbano, Fairouz, um símbolo nacional e uma das raras figuras amadas e respeitadas em todo o país.

A cantora reclusa, indiscutivelmente a mais conhecida no mundo árabe, está agora com 86 anos e raramente é vista em público nos últimos anos. Mas muitos libaneses ainda começam o dia ouvindo suas canções - geralmente com uma boa dose de nostalgia - e continuam a vê-la como uma figura unificadora em um país atormentado por conflitos.

O encontro com Fairouz é um gesto pessoal de Macron, cujo profundo envolvimento com o país foi denunciado por críticos como uma incursão neocolonialista em um ex-protetorado francês.

Os defensores de Macron, no entanto, incluindo residentes de Beirute furiosos com seus próprios líderes, o elogiaram por visitar bairros destruídos após a explosão de 4 de agosto .

“Eu disse a ela (Fairouz) o que ela significa para mim”, disse Macron à estação de TV local Al Jadeed, após sair da reunião que durou pouco mais de uma hora. “Ela representa histórias de amor e um Líbano sonhado e amado.”

Muitos libaneses expressaram inveja pelo encontro nas redes sociais. As canções de Fairouz acompanharam os libaneses durante os 15 anos da guerra civil, que terminou em 1990, e continuam a proporcionar consolo em tempos difíceis. Sua canção Li Beirut tem sido repetidamente a trilha sonora de uma nação em luto.

Macron foi o primeiro líder estrangeiro a visitar o Líbano - ele chegou ao país dois dias após a explosão - e caminhou pelas ruas devastadas de Beirute quando nenhum oficial libanês o fez. O presidente francês prometeu então voltar em 1º de setembro para participar dos eventos que marcam o centenário do Líbano, quando pretende plantar uma árvore de cedro.

Ao deixar o Líbano, na primeira visita, ele tuitou em árabe: “Eu te amo, Líbano”, letra de uma famosa canção de Fairouz.

“Sinceramente, não vejo sentido na visita do presidente francês a Fairouz, nem no título comemorativo do 100º aniversário do Líbano. Sério, temos questões mais urgentes com que nos preocupar e os libaneses realmente não querem comemorar ”, escreveu a jornalista Luna Safwan no Twitter.

O satirista político Nadim Koteich escreveu que a visita a Fairouz e a plantação de cedro formam um “clichê” indesejável.

Fairouz, cujo nome verdadeiro é Nohad Haddad, é uma figura bem conhecida na França. Ela fez vários concertos no país, em especial, na casa de espetáculos Olympia em 1979, onde cantou “Paris, Oh Flower of Freedom”, e numa das maiores salas de concerto de Paris, o Bercy Palace, em 1988. /AP

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