Macron manda investigar imposto de renda de ministros

Presidente quer garantir que nomeados não estejam envolvidos em conflito de interesses ou sonegação

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 20h54

O presidente da França, Emmanuel Macron, adiou para esta quarta-feira, 17, o anúncio de seu ministério para revisar as declarações de imposto de renda, o patrimônio e eventuais conflitos de interesse de cada um dos escolhidos para formar o primeiro gabinete de seu governo.

A decisão foi tomada em nome da política de transparência do novo chefe de Estado. Após uma série de reuniões com o primeiro-ministro, Édouard Philippe, os nomes de 15 ministros foram decididos, mas precisam comprovar a probidade.

A intenção original de Macron era apresentar seu governo hoje. As negociações para formar um gabinete que integre dissidentes do Partido Socialista (PS) e do conservador Partido Republicanos – e ainda inclua cerca de 50% de ministros egressos da sociedade civil e sem filiação partidária – levaram mais tempo que o previsto. 

À tarde, a imprensa chegou a ser convocada para o anúncio do ministério, mas a declaração foi suspensa. O objetivo: “Dar tempo de verificação à Direção-Geral de Finanças Públicas e à Alta Autoridade para a Transparência da Vida Pública possam realizar diligências necessárias”. Entre os focos da investigação está a situação fiscal de cada um – a lei determina que a verificação ocorra após a nomeação –, e não esteja em situação de conflito de interesses, segundo comunicado do governo.

“O presidente e o primeiro-ministro querem evitar incidentes ou más surpresas”, justificou Christophe Castener, deputado e um dos assessores do presidente durante a campanha.

Macron pisa em ovos porque o tema da probidade dos políticos foi um dos grandes temas da disputa eleitoral encerrada em 7 de maio. Dois candidatos, François Fillon, do partido Republicanos, e Marine Le Pen, da Frente Nacional, são investigados por crimes de corrupção e de financiamento ilegal de campanhas, respectivamente.

A iniciativa foi elogiada por analistas políticos, mas provocou ironias de parte da oposição. Isso porque o premiê Édouard Philippe foi investigado em razão de sua declaração de patrimônio de 2014, quando se recusou a fornecer o valor estimado de seus imóveis. Em 2013, ele também votou contra a Lei de Transparência da Vida Pública.

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