AFP PHOTO / LOIC VENANCE
AFP PHOTO / LOIC VENANCE

Macron nomeia conservador Édouard Philippe como primeiro-ministro da França

Escolhido pelo presidente é ex-socialista e membro da corrente moderada do partido Republicanos; objetivo é atrair deputados de centro-direita para obter maioria parlamentar nas eleições de 11 e 18 de junho

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2017 | 10h04
Atualizado 15 Maio 2017 | 10h34

PARIS - O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira, 15, Édouard Philippe, 46 anos, deputado e prefeito da cidade portuária de Havre, para o cargo de primeiro-ministro. 

Ex-membro do Partido Socialista (PS) e filiado à ala moderada do partido Republicanos, o novo premiê terá a missão de atrair deputados de centro-direita para a maioria parlamentar, em caso de vitória do República em Movimento (REM), novo partido do presidente francês, nas eleições legislativas de 11 e 18 de junho. Depois de rachar o PS, cooptando deputados de centro-esquerda, o chefe de Estado repete a estratégia com a legenda de direita. 

O nome de Philippe era o mais cotado para chefiar o governo desde o final da semana passada. Próximo do ex-primeiro-ministro Alain Juppé, de centro-direita, ele é visto como uma personalidade capaz de levar consigo para o REM dezenas de deputados moderados, reforçando a base de Macron no Legislativo. O partido ainda não fechou sua lista de candidatos à Assembleia Nacional nas eleições parlamentares, guardando espaço para a absorção de uma parte do partido Republicanos.

Em um documentário veiculado na quinta-feira pela rede pública France TV, Macron conversa com assessores no quartel-general de seu partido sobre sua estratégia para as eleições parlamentares. Então, afirma seu desejo de "desestabilizar" os dois mais tradicionais partidos do país, Socialista e Republicanos, para reforçar sua própria base. 

"É preciso desestabilizar uma parte da direita que não se reconhece no voto em (François) Fillon. Por razões políticas, o Estado-Maior não virá. Não quero que eles venham, quero desestabilizá-los abrindo-lhes os braços, para que o custo da ruptura seja pago por eles", diz Macron, explicando sua estratégia. 

Tão logo o nome de Philippe foi anunciado, o novo presidente se encaminhou para Berlim, onde encontrará ainda nessa segunda-feira a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. A reunião terá como principal tema a disposição de Macron de reformar a União Europeia, reforçando a zona do euro, formada pelos países que compartilham a moeda única. 

Mais conteúdo sobre:
PARISEmmanuel MacronFrança

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.