AFP PHOTO / Christophe Petit Tesson
AFP PHOTO / Christophe Petit Tesson

Macron presta queixa contra paparazzo em Marselha

Fotógrafo estaria perseguindo o presidente francês e sua mulher, Brigitte, durante as férias do casal na cidade balneária do sul do país; profissional acusa seguranças de revistarem seus equipamentos eletrônicos

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 12h19

PARIS - O presidente da França, Emmanuel Macron, apresentou queixa formal contra um fotógrafo paparazzo que o perseguia nos últimos dias em Marselha, onde o chefe de Estado e sua mulher, Brigitte, passam férias.

A reclamação foi revelada nesta terça-feira, 15, depois que o profissional teria invadido uma propriedade privada em busca de fotos do casal no domingo. Nos dias anteriores, ele já havia acompanhado de scooter o carro do presidente. O fotógrafo acusa a segurança presidencial de ter tentado revistar seu computador e sua câmera fotográfica.

A queixa prestada por Macron à polícia foi registrada como "assédio e tentativa de violação da privacidade". O presidente está em férias em uma mansão no sul de Marselha, de onde segue despachando assuntos urgentes.

Segundo nota oficial do Palácio do Eliseu publicada nesta manhã, os atos do fotógrafo foram reiterados, mesmo após os pedidos para que se retirasse do local. "De vez em quando, o presidente sai e este fotógrafo o seguiu em várias oportunidades em uma moto. A segurança lhe pediu várias vezes para não fazê-lo, mas ele continuou a fazer, algumas vezes assumindo riscos e perigos", informou a presidência.

A gota d’água aconteceu no domingo, quando o fotógrafo teria entrado em uma propriedade privada, o que, segundo a assessoria de Macron, o levou a prestar queixa.

O profissional está em Marselha a serviço da revistas de fofocas VSD, que tem versões impressa e online. A última edição nas bancas traz o craque brasileiro Neymar na capa, com a manchete "Os caprichos do Deus", abordando seus dias de férias em Saint-Tropez após assinar contrato com o clube francês Paris Saint-Germain (PSG).

Em razão da queixa, o fotógrafo passou seis horas retido em uma delegacia de polícia de Marselha para prestar esclarecimentos, mas os atritos começaram no dia anterior, quando o local das férias do presidente ainda não havia sido revelado à imprensa.

"Nós vimos o comboio do presidente saindo da residência onde ele passa férias. Nós o seguimos durante cerca de 15 minutos e, de repente, seus agentes de segurança nos localizaram", contou o fotógrafo em um testemunho à revista VSD, criticando a intervenção dos policiais. "Eles nos pararam e pediram nossas identidades. Então chamaram as forças de ordem, que nos levaram à delegacia."

Duas horas depois, o fotógrafo foi liberado e voltou à região em que Macron está hospedado. No domingo, um segurança voltou a advertir o profissional, que estaria ao lado de equipes de televisão de grandes emissoras da França. "Não haverá fotos, de toda forma. Agora é assim. Vocês vão ter de se habituar", aconselhou, referindo-se à suposta aversão do presidente aos holofotes.

Logo depois, o fotógrafo acabou detido por seis horas, em circunstâncias que não esclareceu em seu testemunho à revista. "Eles vasculharam todo o meu material, minha mochila. Eu tive de retirar os cadarços de meus sapatos, meu relógio", contou. "Fui tratado como um criminoso."

Ainda segundo o fotógrafo, um policial pediu para ver todo o material fotográfico nos cartões de memória de suas máquinas e o conteúdo de seu computador. "É totalmente ilegal", criticou. "Eles me fizeram entender que, se não cooperasse, eu deveria passar a noite na delegacia. Foi intimidação. Seu objetivo era me amedrontar."

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O Palácio do Eliseu comentou as declarações do fotógrafo afirmando que não fez nenhum tipo de pressão sobre o profissional ou as equipes de televisão que estão acompanhando as férias do presidente. "Essa não é nossa maneira de trabalhar", justificou um assessor de Macron.

Embora tenha vivido três meses de "estado de graça" após as eleições, a relação do presidente com a imprensa na França não é das melhores. Até agora, Macron concedeu apenas uma entrevista e cancelou a tradicional coletiva de 14 de julho.

O presidente completou 100 dias no Palácio do Eliseu tendo aprovado projetos de reformas previstos em seu plano de governo, como a moralização da vida pública – que pôs fim ao nepotismo no Parlamento, por exemplo. Mas também lida com queixas crescentes de parte da opinião pública em relação a cortes no orçamento público, que incidiram sobre populações de baixa renda. Sua taxa de popularidade é de 36%, uma queda mais rápida do que a de seus antecessores, François Hollande e Nicolas Sarkozy.

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