EFE/ Ludovic Marin
EFE/ Ludovic Marin

Macron provoca indignação após declarar que quer ‘reparar’ elo entre Igreja e Estado

Laicismo é um princípio fundamental no país; partido de extrema-esquerda França Insubmissa qualificou o discurso do presidente como ‘irresponsável’

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 10h38

PARIS - O presidente da França, Emmanuel Macron, provocou uma onda de reações de indignação no país, principalmente entre a esquerda, depois de declarar que deseja "reparar" o elo "danificado" entre a Igreja e o Estado em uma nação na qual o laicismo é um princípio fundamental.

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Em um longo discurso feito na Conferência Episcopal na noite de segunda-feira 9, Macron afirmou que deseja "reparar" os vínculos entre a Igreja e o Estado por meio de um "diálogo de verdade". "Um presidente da República que alegasse um desinteresse pela Igreja e os católicos faltaria com seu dever", completou ele.

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Mas em um país no qual o laicismo está ancorado desde 1905 por uma lei sobre a separação entre a Igreja e o Estado, as declarações do presidente de 40 anos provocaram reações intensas.

O ex-primeiro-ministro socialista Manuel Valls lembrou no Twitter que "o laicismo é a França". "O laicismo é nosso tesouro. Isto é o que o presidente da República deveria defender", tuitou o novo líder do Partido Socialista, Olivier Faure.

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O partido de extrema-esquerda França Insubmissa qualificou o discurso do presidente como "irresponsável". "Macron em pleno delírio metafísico. Insuportável. Esperamos um presidente, escutamos um sub-padre", criticou o líder do partido e ex-candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon, na mesma rede social.

O ministro do Interior, Gérard Collomb, defendeu o presidente. "O que ele disse é que para o homem o importante não é apenas o materialismo, e sim que há uma busca absoluta de espiritualidade, de dar um sentido à vida. Pode ser um tom novo, mas não rompe em nada com os grandes princípios do laicismo", disse.

O princípio da separação da Igreja e do Estado é defendido por muitos franceses. De acordo com uma pesquisa de 2017 do instituto WinGallup, 50% dos franceses se declaram ateus ou sem religião, contra 45% que declaram ter uma religião. Mas este também é um tema que provoca debates acalorados, sobretudo a respeito das manifestações públicas da fé muçulmana e da herança cristã do país. / AFP

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