EFE/Christophe Petit Tesson
EFE/Christophe Petit Tesson

Macron sofre 'emboscada política' em sua cidade natal

Enquanto o candidato centrista estava reunido com sindicatos na Câmara do Comércio, a ultradireitista Marine Le Pen aproveitou para visitar operários que fazem greve em uma fábrica da Whirlpool em Amiens

O Estado de S.Paulo

26 Abril 2017 | 15h49

PARIS - A tranquilidade que o candidato centrista à presidência da França, Emmanuel Macron, podia esperar até a chegada ao Palácio do Eliseu começou nesta quarta-feira, 26, da pior maneira possível para ele: com uma hábil manobra política de sua rival, a ultradireitista Marine Le Pen, que o deixou fora do jogo com uma inesperada visita a uma fábrica.

Le Pen visitou os operários que fazem greve junto a uma unidade da Whirlpool em Amiens, cidade natal de Macron, enquanto ele estava reunido com os sindicatos na Câmara de Comércio.

Ao mesmo tempo em que Le Pen recebia uma multidão no exterior da fábrica, Macron se reunia com o comitê sindical a portas fechadas. Ele rejeitou em um primeiro momento visitar os grevistas, mas anunciou que irá ao local ainda nesta tarde.

A manobra da ultradireitista assustou o candidato centrista, que teve de comparecer após a reunião perante a imprensa para amenizar a surpresa.

"O fato de Macron não vir aqui falar com os grevistas e se reunir com duas ou três pessoas na Câmara do Comércio mostra um grande desprezo", declarou Le Pen, enquanto tirava selfies com os trabalhadores. A candidata acusou Macron de ser o candidato da "desregulamentação" e disse que, com suas políticas, "milhões de franceses perderão seus empregos", entre os gritos de "Marine presidente!".

Após o término da reunião com os representantes sindicais, Macron - que foi o candidato mais votado no primeiro turno das eleições francesas e é o favorito a vencer o segundo no dia 7 de maio - criticou a "utilização política" de um conflito social por parte de sua rival.

Para o candidato, Le Pen "não entendeu como funciona o país", já que ele primeiro se reuniu com os representantes dos trabalhadores e mais tarde se encontrará com os próprios operários, que se manifestam há semanas na porta da fábrica.

Após destacar que os sindicatos tiveram uma atitude "exemplar", o ex-ministro de Economia disse que foi possível "discutir a situação com detalhes confidenciais". "O projeto de Le Pen não recupera nada da situação da Whirlpool. A saída da União Europeia? Se ela for escolhida, esta fábrica fechará, como muitas outras na França", considerou o candidato.

A Whirlpool anunciou em janeiro que prevê deslocar para a Polônia as atividades de sua fábrica em Amiens, a qual emprega atualmente 295 pessoas. / EFE

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