AP Photo/Andrea Comas
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Madri dá ultimato à família de Franco para escolher lugar de novo sepultamento

Governo espanhol autorizou exumação do corpo do ditador de seu mausoléu e afirmou que se família não se decidir sobre o local, ele o determinará

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 16h19

MADRI - O governo espanhol, que busca exumar o corpo do ditador Francisco Franco de seu mausoléu, lançou nesta sexta-feira, 15, um ultimato de 15 dias para que a família escolha um lugar alternativo para seu novo sepultamento, ou então o governo decidirá. A declaração foi dada pela ministra da Justiça, Dolores Delgado. 

Se os descendentes de Franco, que governou a Espanha com mão de ferro de 1939 até sua morte em 1975, não decidirem um lugar ou não responderem ao ultimato, o governo escolherá o local, explicou. A família ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal, o que poderia suspender o processo. 

A decisão (de exumar), após vários meses de trâmites administrativos, "marcará todos nós como espanhóis" para "a reconciliação com nós mesmos", afirmou a ministra na entrevista coletiva após a reunião semanal do Conselho de Ministros.

O governo socialista de Pedro Sánchez, que convocou nesta sexta-feira eleições legislativas antecipadas para 28 de abril, aprovou a exumação dos restos mortais de Franco do monumental mausoléu no Vale dos Caídos, cerca de 50 km a noroeste de Madri. A exumação é uma das principais promessas do governo socialista. O objetivo de Sánchez é retirar as honras atribuídas ao ditador, em respeito à memória das vítimas da ditadura espanhola, uma das mais longas da Europa no século 20.

Em setembro, por 172 votos a favor, 2 contra e 164 abstenções, o Parlamento havia aprovado o decreto proposto pelo primeiro-ministro para a exumação.  

Mas o processo foi atrasado por obstáculos, principalmente devido à oposição dos sete netos do ditador, vencedor da Guerra Civil Espanhola (1936-39). 

Seus descendentes querem que, quando os restos do ditador deixarem o mausoléu, sejam enviados para a Catedral de Almudena, no coração de Madri, onde a filha de Franco está enterrada em uma cripta privada.

Mas a ministra lembrou que um relatório da delegação do governo de Madri recomendou não enterrar Franco nesse templo, que fica a poucos metros do Palácio Real, em pleno centro da capital espanhola, por motivos de ordem pública, e também para evitar que seu corpo esteja em um lugar onde possa receber homenagens, em cumprimento da Lei de Memória Histórica. Por isso,pediu à família que procurasse um  lugar alternativo.

Franco (1892-1975) foi enterrado após sua morte na basílica do monumento do Vale dos Caídos, construído a pedido do ditador nas montanhas situadas perto de Madri. Esse monumento abriga os restos mortais de dezenas de milhares de mortos durante a Guerra Civil  e nos anos posteriores. / AFP e EFE 

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