Jairo Castilla /Reuters
Jairo Castilla /Reuters

Madri pede a Chávez ação contra 'elo da ETA'

Arturo Cubillas, funcionário do Ministério de Terras da Venezuela, é acusado de receber membros do grupo basco para treinamento de guerrilha

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

A governo espanhol exigiu ontem que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afaste Arturo Cubillas de suas funções no Ministério da Agricultura da Venezuela. Cubillas é suspeito de ligações com a organização separatista basca ETA e de atuar como uma espécie de "embaixador" do grupo na Venezuela. Uma de suas atividades seria o treinamento de terroristas, segundo as investigações feitas pela Justiça na Espanha.

Madri já disse que não acredita que o governo venezuelano dê cobertura ao grupo terrorista. Mas, para Madri, parte de aliados de Chávez seria mais radical que o próprio presidente e, portanto, poderiam ter ligações com a ETA.

Segundo o jornal de Madri El País, o pedido dos espanhóis é para que Cubillas - que tem nacionalidade venezuelana e espanhola - deixe de ser o chefe de segurança do Instituto Nacional de Terras, entidade responsável pelas expropriações de fazendas na Venezuela.

O governo espanhol indicou que queria manter a pressão sobre a Venezuela em sigilo. Mas depois de ser acusado pela oposição - o Partido Popular - de estar sendo suave demais com a Venezuela, a decisão do governo socialista foi a de revelar a pressão.

Um ano atrás, outro juiz espanhol já havia pedido a extradição de Cubillas. Mas o pedido foi rejeitado. Ontem, sindicatos de policiais espanhóis e parentes de vítimas pediram em uma carta que Chávez aceite a extradição.

A principal acusação contra Cubillas é a de ter auxiliado no que ficou conhecido como "Vacaciones borroka". Trata-se de períodos no ano em que vários membros da ETA teriam viajado para a Venezuela para participar de cursos e treinamentos de guerrilha, ao lado de membros da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As informações foram passadas à Justiça por supostos terroristas presos na Espanha.

Pelas investigações, Cubillas teria usado suas relações com a polícia venezuelana para garantir que seus "convidados" pudessem viajar pelo país com liberdade.

Já o governo venezuelano prometeu que investigaria Cubillas. Mas não deu nenhuma indicação de que isso significaria seu afastamento. A garantia foi dada em uma conversa telefônica mantida na quarta-feira entre o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro.

A vice-presidente do governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, confirmou que Madri pediu aos venezuelanos "ações imediatas, concretas e específicas" em relação a Cubillas. Para a Espanha, a ação venezuelana seria fundamental para que o grupo terrorista não encontre um novo santuário, depois que a França decidiu que também endureceria sua posição contra a ETA.

As investigações na Espanha ainda apontam para outro elo da ETA na Venezuela. Eloy Velasco, juiz da Audiência Nacional da Espanha que investiga a relação entre a ETA e a Farc, acredita ter material suficiente para provar que as duas organizações desenvolviam e fabricaram armas de forma conjunta em território venezuelano.

A informação foi revelada ontem pelo jornal espanhol El Mundo e confirmada no mesmo dia pela Justiça. Os dois grupos teriam trocado informações sobre explosivos e a constatação é de que as bombas usadas dos dois lados do Atlântico eram muito parecidas nos últimos anos.

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