Madri relembra vítimas dos atentados de 11 de março de 2004

O Bosque del Recuerdo foi o cenário, neste sábado, da homenagem às 191 pessoas que morreram nos atentados terroristas perpetrados em Madri em 11 de março de 2004, em um evento ao qual compareceram as principais autoridades da Espanha. O presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, representantes institucionais e da política - como o líder do Partido Popular (PP), Mariano Rajoy - e das vítimas, estiveram presentes ao Parque del Retiro, onde está localizado o espaço dedicado às vítimas dos atentados de Madri. O Bosque del Recuerdo, um jardim composto por 192 ciprestes e oliveiras cercados de água, foi criado em homenagem às pessoas mortas pela explosão de bombas colocadas por terroristas em vários trens que se dirigiam a Madri na manhã de 11 de março de 2004. Cada uma das árvores simboliza um dos mortos nos atentados, que também deixou 2.062 pessoas feridas, 250 delas gravemente. Policial homenageado Também foi lembrado o policial Francisco Javier Torronteras, que morreu em 3 de abril de 2004 na localidade de Leganés, quando tentava prender alguns dos terroristas envolvidos na ação. O silêncio, o ambiente de recolhimento e o respeito marcaram o ato, no qual foi feito um minuto de silêncio seguido pela audição da canção popular catalã El cant dels ocells, um canto à liberdade e pela paz interpretado pela violoncelista Blanca Coínes. Horas antes da realização da homenagem, a presidente da Comunidade de Madri, Esperanza Aguirre, e representantes de associações de vítimas do terrorismo assistiram a um ato na praça da Purta del Sol, no centro da capital espanhola. Na singela concentração, que durou cinco minutos e na qual foram ouvidos o Réquiem de Mozart e o hino da Espanha, Aguirre depositou uma coroa de louros aos pés da placa colocada frente à sede do Governo regional de Madrid em memória das vítimas dos atentados e de todas as pessoas que os socorreram. Velas na estação Em outro dos principais pontos da tragédia, a estação de trem de Atocha, onde explodiram várias bombas, velas foram colocadas espontaneamente no chamado Espaço de Palavras, no qual os cidadãos continuam digitando, em computadores, suas mensagens solidárias em lembrança às vítimas. Além disso, a estação de Atocha recebeu no começo da manhã a uma delegação marroquina, que depositou uma coroa de flores no local, e algumas pessoas deixaram mensagens escritas, como ocorreu nas semanas seguintes aos atentados. Investigação Quanto à investigação - iniciada imediatamente depois das explosões -, da qual se encarrega o juiz da Audiência Nacional Juan del Olmo, estão sendo acusadas 116 pessoas até o momento. O juiz del Olmo decidiu, no último dia 6, prorrogar o prazo de prisão provisória de nove dos acusados por mais dois anos e fixou 10 de abril como data limite para conclusão do processo de instrução do caso. Os afetados por esta decisão são Jamal Zougam, José Emilio Suárez Trashorras, Rafá Zouhier, Basel Ghalyoun, Hamid Ahmidam, Otman al-Gnaoui, Rachid Aglif, Abdelilah al- Akil e Fouad al-Morabit, diante da gravidade dos crimes e do risco de fuga e de volta do grupo à atividade criminosa. Em cada um dos nove processos, o magistrado determinará os crimes pelos quais responderão os acusados em um processo de "grande complexidade" e de "especial gravidade para a Espanha". No auto sobre Zougam, um dos supostos autores dos atentados, o juiz argumenta que a instrução "permitiu aflorar uma estrutura ramificada em um marco internacional, com atividades na Espanha, mas também na França, Bélgica e Itália".

Agencia Estado,

11 Março 2006 | 12h44

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