REUTERS/Javier Barbancho
REUTERS/Javier Barbancho

Madri se desculpa por violência policial e defende eleição antecipada na Catalunha

Porta-voz do governo de Mariano Rajoy disse que a mudança no Parlamento catalão seria 'boa forma de começar a fechar a ferida' e encerrar crise política; momentos antes, delegado de Madri condenou atuação da polícia durante votação de plebiscito

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 12h24

MADRI - O governo do premiê espanhol, Mariano Rajoy, defende a realização antecipada de eleições regionais na Catalunha para encerrar a crise entre o executivo independentista da região e Madri, disse nesta sexta-feira, 6, o porta-voz Íñigo Méndez de Vigo.

Líder catalão adia pronunciamento no Parlamento regional para terça-feira

"Seria bom começar a fechar essa ferida pelo Parlamento da Catalunha (...) por meio de eleições autônomas", disse Méndez de Vigo à imprensa internacional após a reunião semanal dos ministros de governo.

O porta-voz também demonstrou apoio às declarações do delegado do governo central na Catalunha, Enric Millo, que momentos antes tinha pedido desculpa em razão da atuação violenta da Polícia Nacional e da Guarda Civil durante a realização do plebiscito, no domingo.

"O que disse (Millo) está bem colocado", afirmou Méndez de Vigo. "É algo que todos lamentamos", completou em referência às cenas de violência na Catalunha.

As últimas eleições regionais na Catalunha foram realizadas em setembro de 2015. Os separatistas apresentaram esta votação como uma validação do processo de busca pela independência e conquistaram a maioria das vagas no Legislativo regional, com 72 das 135 vagas de deputados. 

Perdão

Em uma entrevista na televisão pública catalã TV3, Millo pediu desculpas pelos feridos pela polícia ao tentar impedir o plebiscito de independência ilegal de domingo.

"Quando vi essas imagens, e sei que há gente que foi golpeada e empurrada, e há uma pessoa que ainda está hospitalizada, não pude fazer nada mais do que lamentar, pedir desculpas em nome dos agentes", disse Millo.

"Espero que possamos reconduzir as coisas para que não aconteçam nunca mais" fatos semelhantes, ressaltou o delegado. "Estou muito triste, lamento profundamente que tenhamos chegado a essa situação, foi muito duro tudo o que vivemos e vimos nesses dias."

Millo, contudo, considerou que a responsabilidade em última instância do ocorrido no domingo foi do governo catalão de Carles Puigdemont, por estimular as pessoas a irem votar em um plebiscito proibido.

"(Existiu) a decisão de um governo (o catalão), a decisão firme e consciente, de que era preciso levar uma parte do povo da Catalunha a aquilo que os tribunais tinham declarado uma ilegalidade", disse.

Ele também denunciou que em alguns casos os agentes encontraram "uma barreira humana em que há ativistas, mas também onde há pessoas mais velhas, crianças, jovens e pessoas com deficiências físicas". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.