Madri se irrita com visita de Zapatero a Cuba

O ex-chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos afirmou, na quinta-feira, que o embaixador da Espanha em Havana, José Francisco Montalbán Carrasco, sabia do encontro entre ele, o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, e o presidente cubano, Raúl Castro.

MADRI, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2015 | 02h01

A reunião, realizada na quarta-feira, provocou ressentimentos no governo espanhol, que a qualificou de "uma extraordinária deslealdade" nas palavras do seu chanceler, José Manuel García-Margallo, que viajou à ilha em novembro, mas não conseguiu ser recebido por Raúl.

O ex-premiê espanhol visitou a ilha durante dois dias entre 2004 e 2011 acompanhado de Moratinos.

"A agenda nos foi entregue no aeroporto, junto ao embaixador e nós a comentamos com ele. Eles estavam informados", disse o ex-chanceler, que reconheceu ter telefonado para seu sucessor para esclarecer as dúvida. "A polêmica é desnecessária e não tem sentido", acrescentou Moratinos, referindo-se à reação áspera do atual chanceler.

García-Margallo classificou a reunião de quinta-feira como "deslealdade extraordinária" e de "exemplo de inoportunidade" ao se produzir em plena negociação entre a União Europeia e Cuba para normalizar suas relações e pôr fim à chamada "posição comum europeia" que, desde 1996, condiciona toda cooperação com a ilha a avanços na área de direitos humanos.

"Não vou entrar em nenhuma polêmica com o senhor Margallo", disse Zapatero à imprensa após a visita a Cuba.

Durante seu mandato, Zapatero procurou aliviar as tensões com Cuba aguçadas durante o governo anterior do conservador José María Aznar, que havia precisamente promovido a adoção da "posição comum europeia". / AFP

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