Madrugada de saques deixa 9 mortos no Congo

ONU acusa Exército do país por massacres e pilhagem em Goma e grupo rebelde tutsi ameaça invadir cidade

AP, Efe E Reuters, Goma, Congo, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2008 | 00h00

A madrugada de ontem foi de violência e pilhagem na cidade de Goma, no nordeste do Congo, apesar de os rebeldes tutsis terem anunciado um dia antes um cessar-fogo e se retirado do local. Houve uma onda de saques a casas e lojas, pelo menos nove pessoas foram assassinadas e três jovens foram estupradas. Um funcionário da missão de paz da ONU acusou os próprios soldados congoleses pelos atos, informação negada pelo coronel do Exército Jonas Padiri. Segundo Padiri, as pessoas foram mortas "por ladrões". O líder rebelde Laurent Nkunda ameaçou romper a trégua e ocupar a cidade, caso a ONU não seja capaz de manter a paz. Segundo ele, a missão internacional falhou em proteger os civis dos soldados do governo. "Vamos entrar em Goma se não houver cessar-fogo, segurança e avanços no processo de paz", declarou Nkunda, um ex-general da etnia tutsi.Nkunda disse-se disposto a negociar a paz com um mediador neutro, mas rejeitou voltar ao acordo assinado em janeiro, alegando que o processo foi manipulado pelo presidente Joseph Kabila. A Anistia Internacional alertou que pode ocorrer uma catástrofe na região, caso as forças de paz da ONU não recebam reforços para proteger a população civil. O porta-voz da missão das Nações Unidas informou que 17 mil homens estão se dirigindo à região para ajudar os 850 soldados que trabalham no local. A Comissão Européia aprovou ontem uma ajuda emergencial de 4 milhões ao país, mas, por causa da violência, o Programa Mundial de Alimentos da ONU interrompeu a distribuição de mantimentos nos arredores de Goma e Oxfam e outras organizações humanitárias internacionais decidiram tirar seu pessoal da região, como medida de precaução. O conflito no Congo é uma conseqüência do genocídio de Ruanda, que deixou 500 mil tutsis mortos em 1994. Mais de 1 milhão de hutus fugiram para o Congo, onde se reagruparam em uma milícia violenta. Em reação, Nkunda, da etnia tutsi, lidera o grupo de rebeldes. Ele acusa o governo de Joseph Kabila de fazer pouco para ajudar sua minoria étnica.

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