Miraflores Palace/Handout via REUTERS
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Maduro acusa Colômbia de incitar conflito e coloca Venezuela em 'alerta'

O presidente convocou exercícios militares na fronteira binacional entre 10 e 28 de setembro para "afinar todo o sistema de armas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2019 | 01h54

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou nesta terça-feira, 4, o governo da Colômbia de utilizar a mobilização de dissidentes da extinta guerrilha das Farc para uma "manobra" visando "começar um conflito militar" entre os dois países, e decretou "alerta" na fronteira.

"O governo da Colômbia não apenas meteu a Colômbia em uma guerra que recrudesce, mas agora pretende uma armação para agredir a Venezuela e começar um conflito militar contra nosso país", disse Maduro, acusado por Bogotá de apoiar líderes guerrilheiros.

O presidente fez a advertência em um ato no qual ordenou à Força Armada a declarar "alerta" na fronteira com a Colômbia diante da "ameaça de agressão".

"Ordenei ao Comandante Estratégico Operacional da Força Armada", almirante Remigio Ceballos, "e a todas as unidades militares da fronteira que declarem um alerta laranja diante da ameaça de agressão da Colômbia contra a Venezuela".

Maduro, que não precisou o que implica um "alerta laranja", culpou Bogotá por provocar uma "escalada" com acusações falsas. O presidente também convocou exercícios militares na fronteira binacional entre 10 e 28 de setembro para "afinar todo o sistema de armas, todo o sistema operacional".

O líder colombiano, Iván Duque, acusou Maduro de abrigar um grupo dissidente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que, liderado por Iván Márquez, ex-número dois do movimento guerrilheiro, anunciou no final de agosto a retomada da luta armada.

O governo de Duque "quer acusar a Venezuela de ser a causa de uma guerra de 70 anos na Colômbia (...). Essa guerra é da Colômbia e, lamentavelmente, está recrudescendo, apesar dos acordos de paz", respondeu Maduro.

Em maio, Maduro decretou um "alerta máximo" da Força Armada diante de uma possível "escalada militar", após a Colômbia acusar a Venezuela de ser refúgio para mais de mil combatentes da guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Desde que assumiu o poder, após a morte do líder socialista Hugo Chávez, em 2013, Maduro faz frequentes denúncias sobre planos dos Estados Unidos e de seus aliados regionais, incluindo Colômbia, para derrubá-lo e assassiná-lo.

Já o líder opositor Juan Guaidó, chefe do Parlamento e reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, prometeu colaborar com a Colômbia para localizar os "grupos irregulares" na Venezuela.

"Vamos colaborar com o governo colombiano para atividades de Inteligência, detecção destes grupos que estão operando de maneira irregular".

Segundo ele, o Parlamento venezuelano vai autorizar o uso de tecnologia de satélite para localizar "acampamentos alojados em território nacional" e lugares de "decolagem de aeronaves para o tráfico ilícito de drogas".

"Vamos nos aliar ao mundo democrático para enfrentar esta ameaça aos venezuelanos, à nossa soberania", exclamou Guaidó, que disse ter conversado com o presidente Iván Duque para avançar nesta cooperação.

De qualquer maneira, não está claro como Guaidó vai implementar essa colaboração, já que, na prática, ele não tem controle sobre o aparelho do Estado e das Forças Armadas, leais a Maduro.  AFP

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