Palácio de Miraflores/via NYT
Palácio de Miraflores/via NYT

Maduro acusa Colômbia de tentar recrutar militares venezuelanos

Em meio à crescente tensão entre os dois países, presidente venezuelano diz que governo vizinho quer 'afetar' seu sistema de defesa

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 03h19

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira, 9, que o governo colombiano tentou "afetar" seu sistema de defesa recrutando militares venezuelanos, em meio à crescente tensão entre os dois países. A declaração foi feita cinco dias depois de Maduro afirmar que instalaria um sistema de mísseis na fronteira com a Colômbia.

"Nos últimos três meses tentaram, a partir da Inteligência do governo colombiano, cooptar suboficiais e oficiais venezuelanos para afetar nosso sistema de radares, sistema de defesa aérea e seus aviões, sistema de defesa antiaérea e o sistema de mísseis", afirmou Maduro em rede nacional de rádio e TV.

"Felizmente, os serviços de inteligência e o moral entre os nossos (...) soldados pode deter e afastar estas pretensões de penetrar a capacidade de defesa da Venezuela", disse Maduro após reunir o gabinete e o alto comando militar.

Em até 42 ocasiões a Inteligência colombiana, com a colaboração de "traidores" venezuelanos, tentou recrutar militares, afirmou Maduro, que voltou a elevar o tom contra o governo do presidente Iván Duque, com o qual rompeu relações em fevereiro passado, pelo apoio de Bogotá ao líder opositor Juan Guaidó.

"No Palácio de Nariño (em Bogotá) há um governo que odeia a Venezuela (...) e que responde às orientações que chegam de setores 'guerreristas' que aspiram a um conflito armado entre os dois  países", denunciou Maduro.

No final de agosto, Duque acusou o governo Maduro de "abrigar" e "apoiar" dissidentes da extinta guerrilha das Farc.

Nesta terça-feira, a Força Armada venezuelana iniciará manobras militares na fronteira com a Colômbia, por ordem direta de Maduro.

"Soldados, chegou a hora de se defender a soberania nacional", declarou Maduro, acrescentando que dos exercícios participarão "todos os chefes militares" e o próprio presidente.

EUA vai acionar tratado contra a crise

Ainda na noite da segunda, o departamento americano de Estado informou que os EUA e outros países da região invocarão o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) de defesa diante da crise na Venezuela.

"Onze países, incluindo os Estados Unidos e o governo interino de Juan Guaidó (na Venezuela) estão pedindo a invocação do Tratado do Rio para confrontar a crise que (o governo de Nicolás) Maduro provocou", tuitou a seção do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado. 

O TIAR é um acordo regional de defesa militar mútua que fornece base legal para eventual intervenção externa. O acordo é integrado por Brasil, Argentina, Bahamas, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Uruguai e Cuba.

"Nosso objetivo coletivo é incrementar a pressão diplomática e econômica sobre Maduro para criar um caminho para eleições livres e justas na Venezuela", destacou o departamento de Estado no Twitter. 

Ao menos 50 países, incluindo os Estados Unidos, reconhecem o líder opositor e chefe do Parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino do país. 

Gustavo Tarre, delegado de Guaidó na Organização dos Estados Americanos (OEA), informou nesta segunda-feira, em Washington, que pedirá ao Conselho Permanente uma votação para determinar se é possível ativar o órgão de consultas do TIAR. 

"Quando a soberania de um país é afetada de alguma maneira ou a paz do continente está em risco, cabe a aplicação do TIAR", declarou Tarre, explicando que são necessários dez votos, que equivalem à maioria absoluta. 

Tarre não identificou que países apoiam a iniciativa, e destacou que no tratado não há "prazos estabelecidos" para a reunião do órgão de consulta, o que permite aproveitar a presença de muitos chanceleres na Assembleia Geral da ONU este mês, em Nova York. / (AFP)

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