REUTERS/Miraflores Palace/Handout via Reuters
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Maduro acusa Obama de se parecer com Bush por ‘obsessão’ contra Venezuela

Líder venezuelano ressaltou que foi a ‘primeira vez’ que o presidente dos EUA falou de tirá-lo do poder, e acrescentou que ele segue os passos de Bush

O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 11h57

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou o presidente dos EUA, Barack Obama, de compartilhar com o ex-líder americano George W. Bush a "obsessão" contra si, mas ressaltou que foi a "primeira vez" que o líder americano falou de tirá-lo do poder na Venezuela.

"Quando li essa declaração, não acreditei; é a primeira vez que ele diz que é preciso mudar o governo. Quem é você, Obama, para opinar sobre a Venezuela? Se ocupe com seu país que está muito mal!", afirmou Maduro ao canal Telesur, com sede em Caracas.

Após expressar sua preocupação pela economia venezuelana, Obama disse na segunda-feira ao canal CNN que "o povo venezuelano tem que determinar um governo em que ele confie, que seja legítimo, para começar a implementar políticas econômicas que o tire do espiral no qual está. Isso será melhor para todos nós".

"O Obama de Washington se parece muito com Bush. O que Obama disse contra mim se parece muito com as velhas obsessões. É uma obsessão que Obama tem contra nós", respondeu Maduro na segunda-feira à noite.

O líder venezuelano acrescentou que Obama "está se desesperando" e lamentou que queira "passar à história como uma mancha contra a Venezuela". Maduro alertou que as palavras de Obama seguirão encorajando a oposição venezuelana, que já entrou "na loucura" e decidiu tirá-lo neste ano do palácio presidencial.

Ele ainda acrescentou que Obama segue "os passos de seu antecessor" Bush, que "buscou todos os caminhos" para a derrocada dos líderes venezuelanos, principalmente "por meio do financiamento e respaldo a ações golpistas promovidas por setores da direita".

Maduro lembrou também que Obama renovou na semana passada o decreto que emitiu há um ano sob o qual declara a Venezuela uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança dos EUA. Isso implica em um "sinal verde para o golpismo e o terrorismo, sinal verde para a loucura", denunciou.

"Estamos passando por tempos de dificuldades. Não estamos no melhor momento da época de mudança, tenho certeza que o destino de nosso projeto será a vitória e onde houve derrotas, haverá vitórias outra vez", acrescentou o líder sul-americano.

Maduro vinculou sua sorte à dos ex-presidentes da Argentina Cristina Kirchner e do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrentam o que chamou de "ofensiva judicial" supostamente ordenada por Obama.

O americano, segundo Maduro, pretende "inabilitar e processar dois grandes líderes da América Latina e o Caribe: Cristina Kirchner e Luiz Inácio Lula da Silva, assim como o julgamento político que a direita tenta contra a atual governante do Brasil, Dilma Rousseff", sustentou. /EFE

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