Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Maduro afirma esperar que Obama 'retifique' ordem contra Venezuela

Líder venezuelano volta a criticar americano e, ironicamente, diz que irá aos EUA mostrar que a 'ameaça não vem da Venezuela'

O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 09h28


CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na madrugada desta sexta-feira, 13, esperar que Barack Obama retifique a decisão de considerar a Venezuela uma ameaça à segurança nacional americana e acrescentou, ironicamente, que talvez apareça em Washington para demonstrar que a "ameaça não vem da Venezuela".

"Espero que Obama retifique e revogue a ordem executiva contra o nosso país", afirmou Maduro. Mais cedo, na noite de quinta-feira, ele havia dito que a decisão de Washington poderia custar muito caro aos americanos. "Eles cometeram a maior aberração histórica, que vai custar muito caro na política e na diplomacia."

Na segunda-feira, Obama declarou "emergência nacional" no país por causa da "ameaça incomum e extraordinária" que a situação da Venezuela representa para a segurança nacional americana.

Maduro pediu ao encarregado de negócios da Venezuela em Washington, Maximilien Sánchez Arveláiz, que organize uma "Expo Washington", como a "Expo Venezuela da Verdade", realizada em Madri no início de março, para mostrar que a ameaça não está na Venezuela.

"Tenho a esperança de que Obama receba uma luz que o transforme de volta naquele jovem de Chicago. Convém a Obama fazer uma caminhada por Detroit, por Chicago, voltar a ver as ruas porque os lobies de Washington estão lhe deixando amordaçado e amarrado", afirmou o presidente venezuelano.

O anúncio de Washington incluiu o bloqueio de bens de sete altos funcionários venezuelanos nos EUA, acusados de violações aos direitos humanos durante os protestos antigovernamentais ocorridos no país em 2014. Eles também foram proibidos de entrar em território americano.

O presidente da Venezuela rebateu dizendo que as sanções são uma reação de Obama à prisão do oposicionista Leopoldo López, detido há mais de um ano acusado de promover a violência em um protesto antigovernamental ocorrido em Caracas em 2014. Maduro diz que López é "um agente antipátria" dos EUA. "Declararam um país inteiro como ameaça para salvar um de seus agentes, Leopoldo López, que é um assassino reincidente."

Após o anúncio das sanções, Maduro solicitou ao Parlamento venezuelano poderes especiais que o permitam governar por decreto durante seis meses para enfrentar as "ameaças dos EUA", algo que deve ser aprovado no domingo.

O incidente entre os dois países é o último capítulo da difícil relação bilateral, marcadas por diversas fases de altos e baixos desde a retirada de seus respectivos embaixadores, em 2010. /AFP e EFE

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