AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
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Maduro afirma que FMI não comandará o país 'como na Argentina'

Para líder bolivariano, 'é uma tristeza' situação do país dirigido por Mauricio Macri; presidente também criticou lei que afeta programa de distribuição de casas populares

O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2016 | 12h33

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, declarou na quinta-feira que não permitirá que aconteça na Venezuela o mesmo que, segundo ele afirma, se passa na Argentina onde "anunciaram que o Fundo Monetário Internacional (FMI) se encarrega da economia" e os "sindicatos denunciaram a demissão em massa de trabalhadores".

"Na Argentina, com 40 dias de governo da direita, demitiram mais de 40 mil funcionários públicos, mais 70 mil estão ameaçados e prenderam dirigentes populares de base. O que ocorre na Argentina não pode ocorrer na Venezuela", disse Maduro durante um ato de rua com centenas de chavistas em Caracas.

O líder venezuelano afirmou, em meio à comemoração do 24º aniversário da tentativa golpista de 4 de fevereiro de 1992 dirigida pelo então tenente-coronel Hugo Chávez, que este comentário sobre a Argentina é feito "sem querer se colocar" nos assuntos internos desse país.

No entanto, Maduro comentou que, desde o novo governo argentino assumiu o poder, "anunciaram que o FMI se encarrega da economia da Argentina outra vez". O líder venezuelano perguntou se isso "não dá tristeza".

Maduro afirmou que "o governo da direita argentina é igual a esta gente", ao se referir à oposição venezuelana que hoje controla a Assembleia Nacional e propôs uma leis para privatizar imóveis subsidiados - além de projetos para reduzir o mandato presidencial e anistiar os considerados presos políticos.

"Sabem qual é a única lei que propuseram em um mês? É a lei para acabar com a Grande Missão Casa Venezuela (programa social de entrega subsidiada de casas), para tirar a casa de quem já tem e para que não construamos casas para quem necessita", criticou.

O presidente da Venezuela insistiu no que disse nos últimos dias ao afirmar que, se fosse aprovada a chamada "Lei de Outorga de Títulos de Propriedade a beneficiados da Grande Missão Casa Venezuela (GMVV)" promovida pela oposição, seu governo se veria impedido de construir mais casas "para o povo".

"Se essa lei for aprovada, quem tem sua casa a perderá porque irá perder o terreno e ser cobrado em 10 vezes o preço pelo qual lhe demos a casa", disse. A GMVV, iniciada em 2011, é um dos principais programas do governo venezuelano através do qual, segundo números do Executivo, foram concedidos um milhão imóveis a famílias de baixa renda.

O projeto de lei foi apresentado há uma semana pelo chefe da bancada parlamentar opositora, Julio Borges, e aprovado com os votos da oposição, cujos representantes asseguraram que estes imóveis são entregues sob condições que proíbem a venda ou a hipoteca. / EFE

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