AP Photo/Ariana Cubillos
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Maduro anuncia acordo com Cruz Vermelha para acelerar entrada de ajuda humanitária na Venezuela

Opositor Juan Guaidó afirma que a chegada da ajuda era o reconhecimento por parte do governo de uma emergência humanitária, negada anteriormente

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 10h54

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta sexta-feira, 7,  que vai ampliar um acordo com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, com o qual pretende iniciar a entrada de ajuda humanitária no país.

Na quarta-feira, representantes da Cruz Vermelha na Venezuela disseram a repórteres que estavam à espera da permissão do país sul-americano para a entrada de 23 toneladas de insumos provenientes do Panamá e uma importante carga de medicamentos oriunda da Itália. Em abril, uma primeira remessa de 24 toneladas reunidas pela Federação da Cruz Vermelha chegou à Venezuela, vinda do Panamá.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de um quarto da população venezuelana —em torno de sete milhões de pessoas— precisa de apoio, segundo um informativo interno que mostra um aumento da desnutrição e de doenças, em meio a uma severa crise econômica e política.

“(O acordo permitirá) que a Cruz acelere e incremente todo seu apoio humanitário à Venezuela, em termos de saúde, de remédios”, disse Maduro em uma transmissão da TV estatal. O presidente não deu detalhes sobre o acordo e os insumos que poderão entrar no país sul-americano.

“Eu abri as portas, uma vez que acabou o show, o show da ajuda humanitária. Lembram-se do show?... Que vem do mar, que vem de barco, que vem por rio, que vem pela Colômbia, mentiras”, acrescentou Maduro.

Em fevereiro, o chefe do Congresso, Juan Guaidó, que evocou a Constituição para se autoproclamar presidente interino e conta com o reconhecimento de mais de 50 países, tentou liberar a entrada de ajuda humanitária através das fronteiras com a Colômbia e o Brasil, mas não foi bem-sucedido.

Guaidó afirmou que a chegada da ajuda era o reconhecimento por parte do governo de uma emergência humanitária, negada anteriormente.

O governo venezuelano assinala que as sanções impostas pelos Estados Unidos impedem a aquisição de medicamentos e comida no exterior. No entanto, economistas e opositores denunciam que as restrições para obter insumos existem desde antes da aplicação das medidas por Washington.

A Venezuela enfrenta uma severa crise econômica que empobreceu milhões de venezuelanos e acentuou o fluxo migratório na região. /REUTERS

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