Palácio Miraflores / Reuters
Palácio Miraflores / Reuters

Maduro anuncia fechamento da fronteira venezuelana com o Brasil

Presidente avalia fazer o mesmo com a divisa com a Colômbia; oposição planeja entregar ajuda humanitária no dia 23

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 14h27
Atualizado 21 de fevereiro de 2019 | 17h19

CARACAS -  O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira, 21, que fechará a fronteira com o Brasil e avalia fazer o mesmo com a divisa com a Colômbia

A decisão ocorre a dois dias de a oposição venezuelana iniciar uma operação com auxílio dos dois países vizinhos e dos Estados Unidos para entregar ajuda humanitária à Venezuela.

"Decidi que, no sul da Venezuela, a partir das 20h (21h de Brasília) fica fechada completamente a fronteira com o Brasil, até segunda ordem", disse o presidente após reunião com o alto comando militar em Caracas.

Sobre a Colômbia, Maduro afirmou que avalia uma medida similar e o armazenamento de ajuda humanitária é uma "provocação barata".

"Responsabilizo o senhor Iván Duque por qualquer violência na fronteira", acrescentou o líder bolivariano. 

A decisão de Maduro se segue ao fechamento da fronteira marítima com Aruba, Bonaire e Curaçau, o terceiro ponto logístico de entrega da ajuda humanitária planejada pela oposição. 

"É melhor prevenir que remediar. Tomem todas as medidas de proteção porque temos de desmontar essas provocações", concluiu o presidente aos generais que acompanhavam a reunião. 

O líder opositor Juan Guaidó, que se dirige à fronteira com a Colômbia em uma caravana, quer reunir uma brigada de voluntários para atravessar a fronteira e buscar alimentos e remédios do lado colombiano. Com a passagem fechada, dificilmente isso aconteceria. Guaidó pede que os militares a cargo dos postos fronteiriços desobedeçam as ordens de Maduro e rompam com o chavismo. 

Mais cedo, o deputado opositor venezuelano Américo De Grazia, da Assembleia Nacional, afirmou em sua conta no Twitter que o presidente Nicolás Maduro enviou veículos militares blindados para a cidade de Santa Elena de Uairén, a 12 km da fronteira com o Brasil, para evitar a entrada de ajuda humanitária no país a partir da cidade de Pacaraima, em Roraima.

"O usurpador toma militarmente Santa Elena de Uairén para impedir a entrada de ajuda humanitária para os venezuelanos", escreveu de Grazia. "No entanto, os povos indígenas Pemones de La Gran Sabana, juntamente com o gabinete do prefeito e os cidadãos, tornarão a solidariedade uma realidade", completou.

 

No começo desta semana, o governo brasileiro afirmou que montará uma força-tarefa na fronteira com a Venezuela para ajudar na entrega de ajuda humanitária enviada pelos EUA e em coordenação com a oposição venezuelana.

Nesta quinta-feira, o chanceler Ernesto Araújo se reuniu com o governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), possilvelmente para discutir os detalhes do plano que o governo chamou nesta semana de "aproximação logística de Pacaraima".  /EFE e REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.