Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Maduro anuncia ofensiva contra 'conspiradores' após ameaça dos EUA

Presidente da Venezuela promete retaliar caso governo americano imponha novas sanções ao país

EFE e AFP, Caracas

19 Julho 2017 | 01h11
Atualizado 19 Julho 2017 | 02h11

CARACAS – O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou que vai dar início nesta quarta-feira, 19, a um “plano especial de justiça de emergência” para capturar os “conspiradores” que, segundo ele, atuam no país. O líder chavista fez o anúncio em entrevista por telefone à emissora estatal VTV, na noite desta terça. Ele estava em reunião no Palácio presidencial de Miraflores com o Conselho de Defesa da Nação (Codena), acionado para “defender o decoro” do país diante de supostas ameaças.

Conforme o presidente, trata-se de um plano combinado com o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a Justiça militar, órgãos policiais, o ministro do Interior, Néstor Reverol, e a advogada indicada para assumir o cargo de vice-procuradora geral, Katherine Harrington – nomeada pelo Supremo mas rechaçada pelo Ministério Público da Venezuela. Apenas o presidente do Parlamento, de maioria opositora, Julio Borges, não participou da negociação.

Maduro disse que o plano “começa a partir desta quarta para a busca e captura de todos os conspiradores e para o castigo exemplar”. Ele também afirmou que a Assembleia Nacional Constituinte que deve trabalhar na nova Constituição, que será eleita no dia 30 de julho, permitirá ao Executivo “abrir as portas da justiça para a paz”. Enquanto isso, ele diz estar se antecipando para tomar “medidas judiciais”.

Em comunicado, mais cedo, Maduro afirmou que derrotará todos os “planos intervencionistas” dos Estados Unidos e da América Latina, e para isso acionou o Codena, logo após a Casa Branca ameaçar o governo venezuelano com sanções econômicas se a Assembleia Constituinte for levada adiante. 

A onda de protestos contra o governo passa de cem dias na Venezuela. Ao menos 96 pessoas morreram nos confrontos. 

Retaliação aos EUA. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira que seu país “não ficará quieto enquanto a Venezuela desmorona", e garantiu que, “se o regime de Maduro impuser sua Assembleia Constituinte ao final de julho, os EUA tomarão fortes e imediatas ações econômicas”.

Trump também citou o referendo não oficial realizado pela oposição venezuelana no último domingo, no qual votaram 7,6 milhões de pessoas. “O povo voltou a deixar claro que apoia a democracia, a liberdade e o Estado de Direito”, disse.

O encontro ainda determinou o envio de uma missão encabeçada pelo chanceler Samuel Moncada a Nova York, para 'denunciar as ameaças de Trump'. Maduro ressaltou que o Codena também discutiu medidas de âmbito econômico e energético para fazer frente a possíveis sanções, já que os EUA são o principal destino do petróleo da Venezuela./ EFE e AFP

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