AP Photo/Fernando Llano
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Maduro anuncia ofensiva contra opositores que tentam tirá-lo do poder

Em evento de rua para comemorar seu 3º ano à frente do país, presidente venezuelano disse que nova resultará em 'derrota definitiva da oligarquia traidora', com ele denomina a oposição

O Estado de S. Paulo

20 Abril 2016 | 15h14

CARACAS - Ao comemorar a chegada à metade de seu mandato, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou uma ofensiva contra uma oposição que na terça-feira, 19, cerrou fileiras e se mostrou comprometida com o objetivo de realizar um referendo revogatório para reduzir seu período no cargo.

Durante um evento de rua denominado "Congresso da Pátria", o presidente disse que, nos três anos que lhe restam de mandato, seu governo irá "à ofensiva" depois que na metade de sua permanência no cargo teve que enfrentar grandes dificuldades, entre as quais incluiu "tentativas de magnicídios".

Além disso, Maduro afirmou que lidou com "protestos violentos, assassinatos de homens e mulheres inocentes, guerra econômica, guerra psicológica e guerra política, além do assédio do imperialismo americano".

Perante várias centenas de simpatizantes, Maduro advertiu que neste novo "caminho de ofensiva" que já começa agora verá a "derrota definitiva" da "oligarquia traidora", como classifica a oposição.

Também disse que "derrotará" a Assembleia Nacional (AN) de maioria opositora, à qual acusou de ser "a ponta de lança" de um golpe de Estado contra a "revolução" que lidera e alertou ao presidente do Legislativo, Henry Ramos Allup, que "sua hora vai chegar".

Essa "queda" da AN, como cantou seu público, chegará por meio de mecanismos estabelecidos na Constituição venezuelana, segundo o presidente, que convocou o povo a apoiar o bloco parlamentar chavista nesta cruzada que deve desenvolver-se de forma pacífica.

Oposição. Na terça, a aliança opositora venezuelana Mesa da Unidade Democrática (MUD) realizou atos em todo o país com a ideia de coletar assinaturas em apoio ao referendo para revogar o mandato de Maduro e pressionar assim o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para que de início ao processo.

Nesse evento, o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, pediu aos dirigentes e partidos que formam a aliança que se mantenham unidos e evitem as atitudes personalistas, pois este é o momento de lutar pelo fim comum que é, segundo afirmou, a mudança de governo.

"Este não é o momento do partido tal, nem da liderança tal, nem do mecanismo tal ou qual. Este é o momento de um partido chamado Venezuela, Venezuela unida, Venezuela pela mudança", declarou Torrealba nesta atividade que se repetiu em 1,5 mil pontos do país.

Torrealba assegurou, além disso, que se a mudança de governo se concretizar, não haverá "caça às bruxas" contra os militantes do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nem contra os militares das forças armadas.

Aos militantes do PSUV pediu que deixem "a covardia" de lado, para atrever-se a dar um passo adiante e "concertar com a nova maioria nacional neste período de transição que o povo venezuelano necessita".

"Senhores da Força Armada Nacional, tenham a absoluta certeza que aqui a mudança democrática vai ser pelo bem de todos, inclusive e em primeiro lugar de vocês mesmos. Aqui não vai haver nem caça às bruxas, nem perseguição de nenhuma natureza", acrescentou em referência aos militares.

No mesmo ato, o duas vezes candidato à presidência Henrique Capriles também pediu a todos os que esperam que se acelere uma mudança de governo que lembrem que "este não é o momento dos cálculos individuais" mas de "pôr à Venezuela em primeiro lugar" e que suas palavras são pronunciadas por um venezuelano e não por um candidato. / EFE

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