Luis Robayo/AFP
Luis Robayo/AFP

Maduro anuncia que Venezuela rompe relações diplomáticas com os EUA

Em pronunciamento na TV, ele deu 72 horas para a saída dos diplomatas americanos do país

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2019 | 18h28
Atualizado 23 de janeiro de 2019 | 20h16

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quarta-feira, 23, o rompimento de relações diplomáticas e políticas com os EUA, acusados por ele de "intervencionismo". Em discurso no Palácio de Miraflores transmitido pela TV, ele deu 72 horas para a saída dos diplomatas americanos do país. "Decidimos romper as relações diplomáticas e políticas com o governo imperialista dos EUA", disse Maduro.

Maduro qualificou como uma "tentativa de golpe" orquestrada pelos Estados Unidos, a declaração de mais cedo do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autointitulou "presidente encarregado" do país. Segundo Maduro, o "governo imperialista" dos EUA busca impor um "golpe de Estado", o que ele diz que evitará. 

"Um qualquer não pode se autointitular presidente, só o povo", ressaltou Maduro. Segundo ele, houve "eleições livres" na Venezuela em 15 de outubro, apesar das críticas ao processo de parte da comunidade internacional, incluindo do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia, bem como de vários países, como os EUA. 

Por outro lado, o processo eleitoral foi apoiado por China, Irã, Rússia e Turquia, por exemplo. Em sua fala hoje, Maduro disse que falou recentemente por telefone com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que renovou seu apoio.

Maduro comparou o quadro atual no país ao da tentativa de golpe enfrentado pelo então presidente Hugo Chávez (1954-2013), em 11 de abril de 2002. Ele lembrou que, na ocasião, o economista e empresário Pedro Carmona se autointitulou presidente, porém as forças de segurança retomaram o controle da situação e Chávez voltou ao posto. 

"Nem golpismo nem intervencionismo", discursou o atual líder, indicado por Chávez como seu sucessor. "Quem elegeu o presidente da república foi o povo e não nos calaremos."

'Dia histórico'

Na opinião de Maduro, o governo americano comete "uma gravíssima insensibilidade e uma insensatez", ao reconhecer Guaidó como presidente interino. "Hoje é um dia histórico de reafirmação de nossa soberania", ressaltou, dizendo que os assuntos nacionais devem ser resolvidos por seu povo. "Os extremistas assaltaram o poder e querem conduzir-nos ao enfrentamento."

Maduro afirmou que seu governo defenderá a soberania "a todos custo", com "o povo e as Forças Armadas". Ele lembrou que a Constituição não contempla qualquer forma de eleição de presidente que não seja o voto popular, portanto a atitude de Guaidó seria "uma questão para a Justiça, a fim de preservar o Estado".

O presidente venezuelano disse que os EUA têm "interesse e ambição" pelo petróleo, o gás e o ouro do país latino-americano. Além disso, criticou países vizinhos, falando em "lacaios da direita" que apoiam os americanos. 

Maduro atacou especificamente a Colômbia, dizendo que a política venezuelana não pode se curvar a Bogotá, e também o Equador, afirmou que o presidente Lenin Moreno é "nazi-fascista e traidor", por causa do comportamento equatoriano em relação aos imigrantes venezuelanos. Maduro disse que pretendia enviar aviões para levar de volta os venezuelanos que desejem "viver em sua pátria"./AP, REUTERS, EFE

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