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Maduro decreta racionamento de energia; venezuelanos ficam sem água após apagões

Presidente anunciou plano para poupar eletricidade durante 30 dias no mesmo dia em que país registrou protestos contra apagões; jornada profissional e escolar é encurtada até as 14 horas

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2019 | 23h41
Atualizado 01 de abril de 2019 | 10h53

CARACAS - Milhões de venezuelanos ficaram sem uma gota de água em um cenário de desabastecimento provocado pela série de apagões registrados desde o início de março, que levaram o presidente Nicolás Maduro a decretar um racionamento da energia elétrica e a reduzir a jornada de trabalho.

Diante da situação, o líder chavista anunciou no domingo, em uma cadeia de rádio e TV, um plano de racionamento de energia elétrica por 30 dias, período em que espera solucionar os problemas que provocaram uma série de apagões desde 7 de março no país de 30 milhões de habitantes.

O anúncio aconteceu após uma série de protestos espontâneos motivados pela falta de energia elétrica, vários deles reprimidos pelos coletivos - como são conhecidos na Venezuela os grupos de civis armados vinculados ao governo socialista -, denunciaram manifestantes e ONGs.

Maduro, que atribui os apagões a atos de sabotagem, autorizou os coletivos civis que apoiam o governo a conter os protestos que chama de "guarimbas violentas" para derrubá-lo.

O governo chavista também decidiu manter a suspensão das atividades escolares e estabeleceu uma jornada de trabalho até as 14 horas em instituições públicas e privadas, informou o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.

O comunicado lido pelo ministro não explica por quanto tempo prosseguirá a redução da jornada de trabalho ou a suspensão das aulas. Maduro afirmou que as atividades escolares podem ser retomadas entre terça-feira e quarta-feira.

"Temos crianças pequenas e não temos como dar uma gota de água para beber", afirmou Maria Rodríguez em Caracas.

"Não temos água, não temos luz, não temos Internet, não tempos telefones, estamos incomunicáveis. Chegamos ao pior que poderíamos imaginar", afirmou Joaquín Rodríguez.

O apagão provocou um colapso no abastecimento de água, que já era deficitário. A cena é parecida em vários bairros de Caracas. Famílias inteiras formam filas e carregam baldes para retirar água de nascentes, canos quebrados, valas, de carros-pipa fornecidos pelo governo ou do pouco que flui pelo poluído rio Guaire.

O governo socialista reiterou que atentados "terroristas" afetaram a central hidrelétrica de Guri, que gera 80% da energia elétrica na Venezuela.

O regime bolivariano "denuncia a infame e brutal perpetração de dois ataques programados e sincronizados contra o sistema elétrico nacional para obstruir de maneira criminosa e homicida os imensos esforços do governo revolucionário (...) para estabilizar o serviço de energia elétrica", declarou o ministro Rodríguez.

A emergência, que de maneira intermitente afeta 21 dos 23 Estados, além de Caracas, parece estar longe de uma solução devido à falta de investimentos em infraestruturas e uma corrupção endêmica, alertam especialistas. 

A situação é resultado da corrupção, falta de perícia e falta de manutenção do sistema elétrico, afirmou Miguel Ara, gerente de operações do sistema elétrico venezuelano até 2004.

O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, pediu protestos a cada nova falha no sistema de energia elétrica.

"Senhores da FANB (Forças Armadas), os cidadãos protestam porque TODOS, incluindo vocês e suas famílias, estão sofrendo por culpa do colapso que o regime gerou", escreveu Guaidó no Twitter. Na semana passada, ele foi declarado inabilitado pela Controladoria venezuelana para exercer cargos públicos por 15 anos.

Em meio à emergência, a Cruz Vermelha anunciou que distribuirá ajuda humanitária de forma iminente na Venezuela, uma questão que é central na disputa de poder entre Maduro e o opositor. / AFP

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