REUTERS/Miraflores Palace
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Maduro apresenta vídeo que provaria ligação de candidato dos EUA com manifestações de 2014

Em programa semanal de rádio de TV, presidente venezuelano mostrou depoimento de homem preso acusado de esquartejar mulher que admitiu ter recebido dinheiro de Marco Rubio

O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 11h12

CARACAS - , 19 ago (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou na madrugada desta quarta-feira, 19 um vídeo no qual um dos acusados de esquartejar uma mulher em Caracas afirma que recebeu, através de intermediários, dinheiro do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Marco Rubio, para financiar os protestos de 2014 que deixaram 43 mortos no país.

José Rafael Pérez Venta, que no vídeo diz ter pertencido aos partidos opositores Voluntad Popular (VP) e Alianza Bravo Pueblo (ABP), diz que tanto Rubio como a também republicana Ileana Ros-Lehtinen fizeram chegar até ele dinheiro através de uma pessoa chamada Betti Grossi. O acusado, porém, não esclareceu a quantia que teria recebido e nem explicou como sabia que procedia dos políticos americanos.

Venta assegurou também ter recebido "uma contribuição de US$ 1 mil" de parte de Phil Laidlaw, a quem identificou como encarregado de negócios da embaixada americana na Venezuela, e que teria utilizado Gaby Arellano, conhecida dirigente estudantil e integrante do VP, como intermediária.

Maduro disse nesta terça-feira em seu programa semanal de rádio e televisão que tanto Venta como outro dos capturados pelo esquartejamento da mulher em Caracas serviram de seguranças para os principais líderes da oposição venezuelana.

"Este grupo, que estava conectado ao mais alto nível de líderes da direita na Colômbia, e da direita venezuelana tinha planos para assassinar líderes conhecidos da política, da direita opositora, e da revolução", acrescentou Maduro.

No vídeo, Venta diz que, em uma data sem especificar, esteve no estado de Táchira (oeste) onde recebeu "dinheiro vindo da Colômbia implementado por algumas pessoas que manejavam o conhecimento de fabricação de explosivos e a colocação deste tipo de artefatos".

Veja o vídeo (em espanhol) no qual Maduro diz que grupo tinha plano para assassinar políticos:

Além disso, o suspeito afirma que no país vizinho se reuniu com o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), assim como com Óscar Iván Zuluaga, um de seus ministros e candidato derrotado na eleição presidencial de 2014.

Em outro trecho do vídeo, Venta garante que o ataque à sede do Ministério Público em Caracas após a marcha antigovernamental de 12 de fevereiro de 2014, dia que representou o começo da onda de protestos, foi preparado pelo líder do VP, Leopoldo López, preso dias depois acusado desses incidentes.

Também estiveram envolvidos, segundo o delator, a ex-deputada María Corina Machado e o prefeito metropolitano de Caracas, preso sob prisão domiciliar acusado de conspiração, Antonio Ledezma.

Por sua parte, o secretário-executivo da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús "Chuo" Torrealba, declarou que as acusações sobre os vínculos da oposição com Venta e os outros acusados pelo esquartejamento "refletem a quebra moral" do governo. / EFE

Veja (em espanhol) o depoimento de José Rafael Pérez Venta:

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