AFP PHOTO / Venezuelan Presidency / FRANCISCO BATISTA
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Maduro chama oposição venezuelana para dialogar

Presidente afirmou em diferentes discursos na terça-feira que 'iria até o diabo' pela paz dos venezuelanos e a superação dos problemas do país; oposição diz que iniciativa pretende adiar referendo

O Estado de S. Paulo

22 Junho 2016 | 09h36

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reiterou nesta terça-feira que a oposição deve sentar e dialogar com seu governo, mas não teve uma resposta positiva por parte de seus adversários que buscam realizar um referendo para tirá-lo do cargo.

Ao longo de dois discursos pronunciados em diferentes cenários, um deles em uma passeata de afrodescendentes que chegou até o palácio presidencial, Maduro pediu ajuda "ao país" para "obrigar" a oposição reunida na Mesa da Unidade Democrática (MUD) a dialogar.

Maduro disse que convocou o parlamentar opositor Henry Ramos Allup para conversar por "três vezes" como presidente da Assembleia Nacional (AN), mas o pedido foi negado. "Eu sou capaz de ir até o diabo pela paz dos venezuelanos, pela tranquilidade e a superação dos problemas, para buscar fórmulas conjuntas de união nacional", afirmou.

Ele ressaltou que convocou a oposição para o diálogo com o apoio da União de Nações sul-americanas (Unasul) e de uma comissão de ex-líderes internacionais liderada pelo ex-premiê da Espanha José Luis Zapatero que trabalha como mediador ao lado de Leonel Fernández (ex-presidente da República Dominicana) e Martín Torrijos (ex-presidente do Panamá).

O presidente venezuelano disse que terá uma reunião com o subsecretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, que desembarcou ontem em Caracas para reativar um diálogo entre os dois países.

Por sua vez, o líder opositor venezuelano Henrique Capriles, confirmou que esteve reunido com Shannon e disse a ele que "na Venezuela não há nenhum processo de diálogo" e afirmou que supostamente o que há é "um chamado hipócrita, falso" de Maduro.

Capriles comentou que o presidente quer usar o diálogo "com a única intenção de ganhar tempo" para que não se realize o referendo revogatório. Duas vezes candidato à presidência da Venezuela, Capriles disse para Shannon que Maduro convidou três mediadores estrangeiros com os quais uma delegação da oposição e outra do governo se reuniram separadamente na República Dominicana recentemente.

Neste sentido, Capriles disse ter percebido que Zapatero não mencionou o processo do referendo revogatório durante discurso para a Organização dos Estados Americanos (OEA), na terça-feira. Também disse que a oposição venezuelana pediu a inclusão de outros mediadores e mencionou que o papa Francisco "deveria designar uma pessoa" para este fim.

Capriles, principal incentivador do revogatório, anunciou também que até o fim da terça-feira, após o segundo dia do processo de validação das assinaturas de quem deseja o referendo, foram recolhidas 156.968 impressões digitais, equivalente a 98% do necessário, apesar, segundo ele, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) estar realizando uma "operação tartaruga" que procura retardar o processo. / EFE

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