REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Guerra de pesquisas marca reta final da campanha

Sondagem da Datanálisis daria a Henri Falcón 13 pontos de vantagem sobre Maduro, outros institutos dão ampla margem para o presidente

Rodrigo Cavalheiro,  Enviado Especial a Caracas , O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 00h20

O economista Francisco Rodríguez, integrante da campanha do opositor Henri Falcón, publicou nesta quinta-feira em redes sociais uma pesquisa do instituto Datanálisis que daria a seu candidato uma vantagem de 13 pontos porcentuais sobre Nicolás Maduro.

O presidente alcançaria 20% dos votos, enquanto o desafiante chegaria a 33%. A campanha de Maduro tem usado dados de outros institutos, como o ICS, que chegam mostrar o presidente com 55% das intenções de voto, ante 25,4% de Falcón. A divulgação de pesquisas está proibida no país.

Um dos trunfos do chavismo na votação é a legião de 2,3 milhões de funcionários públicos motivados por gratificações exclusivas. Ontem, no comício que encerrou a campanha de Maduro, que teve a participação do ex-jogador Diego Maradona, centenas de ônibus urbanos cor de vinho, tradicionalmente usados no transporte público, trouxeram gratuitamente a militância da Grande Caracas. 

Nas prateleiras dos supermercados da capital, já não falta comida como há alguns meses. Mas a hiperinflação, estimada pelo FMI em 13.800% para este ano, achatou tanto os salários que comprar um quilo de carne consome os vencimentos de mês para quem recebe o mínimo, de US$ 3. Há mais comida exposta do que gente capaz de comprá-la.

Por isso, conseguir um sanduíche e um suco, como os distribuídos a militantes por caminhões identificados do Ministério da Educação, representa muito mais do que o valor pago por uma hora de trabalho. Se ir a um comício já é um bom negócio, há esperança genuína entre os eleitores de Maduro de que só ele pode reverter a crise em que colocou o país. 

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“Este governo melhorou muito a nossa vida. Antes não tínhamos um cargo, não tínhamos benefício”, comparou a militante Paula Rodríguez. Questionada sobre seu cargo, respondeu orgulhosa: “Sou cozinheira da pátria”. Esta é a designação chavista das merendeiras que foram às centenas ouvir Maduro. 

 

Empregados públicos contrários ao presidente não costumam se identificar. Uma funcionária do Estado há 27 anos disse que não votaria na oposição no domingo por estar a ponto de se aposentar. “Não quero correr o risco de perder o benefício”, afirmou a mulher.

Segundo o consultor Juan Manual Track, doutor em processos políticos contemporâneos pela Universidade de Salamanca, um grupo representativo de opositores perdeu a esperança em eleições sem fraude, o que torna a tarefa do principal opositor, o ex-chavista Henri Falcón, ainda mais difícil. 

 

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