Maduro cria comissão para continuar diálogo com opositores

Presidente venezuelano e membros da Mesa da Unidade Democrática discutiram nesta madrugada sobre anistia, economia e violência; próximo encontro será na terça-feira

O Estado de S. Paulo,

11 de abril de 2014 | 08h24

CARACAS - O presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou na madrugada desta sexta-feira,11, a criação de uma comissão para continuar o diálogo com a oposição na próxima terça-feira. O grupo será formado pelo chanceler Elías Jaua, pelo prefeito de Caracas, Jorge Rodríguez e pelo vice-presidente venezuelano Jorge Arreaza.

"Não podem querer derrubar o governo cada vez que houver uma crise econômica ou social", afirmou o presidente no encerramento do primeiro encontro entre o governo e a oposição venezuelana, liderada por Henrique Capriles, desde o início dos protestos contra Maduro, há dois meses. No evento, encerrado na madrugada desta sexta-feira, 11, os dois lados discutiram sobre anistia, a crise econômica e a crescente violência no país.

O evento, mediado pelo Vaticano e por três embaixadores da União da Nações sul-americanas (Unasul), entre os quais o brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, ocorreu no Palácio Miraflores e foi transmitido em cadeia de rádio e TV para atender a uma das condições impostas pela Mesa da Unidade Democrática (MUD), principal coalizão de oposição.

"O caminho para chegar até aqui foi longo e complexo, mas valeu a pena fazer esse esforço. Tomara que isso traga bons resultados nas próximas horas e nos próximos dias", afirmou Maduro na sua fala de mais de 40 minutos que abriu o encontro. O presidente também deixou claro suas intenções com a reunião: "Aqui não há uma negociação, nem um paco. A única coisa que estamos buscando é um modelo de coexistência pacífica, de tolerância mútua", afirmou.

Além do presidente, outras 11 pessoa de cada um dos lados do conflito tiveram cerca de 10 minutos cada para expor seus argumentos. Quando teve a palavra, Capriles - que até então tinha se negado a dialogar com o governo - afirmou que os opositores esperavam que houvesse um diálogo "de verdade". "Ou as coisas mudam ou a situação 'explode'. Eu espero que as coisas mudem, porque não quero violência", garantiu.

Os outros membros da MUD que participaram do encontro usaram suas falas para manter as condições para dialogar com o governo, entre elas a liberação dos chamados "presos políticos" - entre eles, Leopoldo López, líder do Partido Vontade Popular -, o desarmamento dos grupos chavistas conhecidos como "coletivos" e a renovação dos membros do Conselho Eleitoral, da Controladoria e do Tribunal Supremo de Justiça.

Ao mesmo tempo, pelo Twitter o chavista e presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, criticou a argumentação do líder opositor. "Definitivamente esse assassino fascista do Capriles tem problemas. Ele não entende que perdeu a eleição de abril", postou.

Na próxima terça-feira, governo e os representantes da MUD se encontrarão novamente para continuar as conversas.

Duas mortes

Poucos minutos antes do inicio das conversações, a imprensa local e políticos opositores anunciaram a morte de Mariana Ceballos, de 35 anos, ferida há um mês durante protestos na cidade de Valência. "Mais uma que morre por defender a Venezuela", teria afirmado uma de suas vizinhas.

Também ontem, a Procuradoria-Geral também anunciou a morte de um policial atingido por um tiro na quarta-feira, 9, no Estado de Lara, elevando para 41 o total de mortos desde o início dos protestos, em fevereiro. / REUTERS e EFE

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