FRANCISCO BATISTA/AFP
FRANCISCO BATISTA/AFP

Maduro critica sanções impostas pelos EUA: 'Criminosas e loucas'

Presidente da Venezuela reagiu ao aumento da pressão da Casa Branca sobre comércio de ouro

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2018 | 21h40

CARACAS – Nicolás Maduro fez duas críticas às sanções impostas pelos Estados Unidos contra exportações de ouro da Venezuela. Em discurso no canal estatal VTV, o presidente chamou de "criminosas e loucas" as determinações da Casa Branca. 

"Se alguém está sendo prejudicado por estas sanções criminosas e loucas que de vez em quando o governo dos Estados Unidos adotam contra Venezuela é o setor privado, os empresários, que são perseguidos, têm suas transações bloqueadas", declarou Maduro. 

"São loucos, dementes, talvez seja preciso um psiquiatra como Jorge Rodríguez [ministro da Comunicação da Venezuela] para entender as decisões dos Estados Unidos".

Na quinta-feira, o governo Trump usou o mercado do ouro para aumentar a pressão sobre a Venezuela, por considerar o regime de Maduro opressor e displicente com direitos humanos. As sanções já existentem determinam que nem o país nem a petroleira estatal PDVSA podem liquidar a dívida nos EUA, o que na prática fecha o mercado para o país. 

As novas sanções vão mirar redes de operação com setores da economia venezuelana corruptos e negar a eles acesso a riquezas roubadas, segundo o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton. 

A Casa Branca publicou o decreto na quinta e Bolton explicou que as sanções entraram em vigor de forma imediata e que irão supor um peso "insuportável" para o governo venezuelano. 

Inflação na Venezuela bate 500.000% em setembro, diz Banco Mundial

A inflação na Venezuela atingiu 500.000% no mês de setembro, segundo relatório divulgado pelo Banco Mundial nesta sexta-feira, 2, em Bogotá. O cenário configura uma das piores crises econômicas da história mundial recente. 

"A crise econômica da Venezuela pode ser catalogada como uma das mais severas da história econômica recente, com uma hiperinflação anual próxima a 500.000% em setembro de 2018", destaca o documento.

A evasão em massa da população para outros países, principalmente Colômbia, foi fundamental para acentuar a crise, aponta o relatório. "Isto provocou o incremento dos níveis de pobreza afetando, aproximadamente, 90% da população."

Nas contas da Organização das Nações Unidas, quase 2 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela desde 2015 para fugir da crise econômica e polícia que assola o país. Desse total, 1 milhão de pessoas optaram por migrar para a Colômbia. Cerca de 820.000 imigrantes foram regularizados pelo governo de Iván Duque. 

De acordo com a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), a hiperinflação da Venezuela atingirá 1.350.000% até o final deste ano. / AFP, REUTERS e W.Post

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