Maduro culpa novelas por criminalidade na Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tem um novo vilão em sua luta contra o crime: as telenovelas. Ele acusa esses programas de espalhar "anti valores" entre os jovens por glamourizar a violência, as armas e as drogas. No ano passado, Maduro atacou os videogames violentos e o filme Homem Aranha.

Agência Estado

21 Janeiro 2014 | 14h13

Na noite de segunda-feira, seu vice-presidente, Jorge Arreaza, reuniu-se com representantes de emissoras de televisão aberta e paga para rever a programação do horário nobre, advertindo que as empresas poderiam estar violando a lei de 2004 sobre programação "socialmente responsável". As duas partes se reunirão novamente em uma semana com o objetivo de elaborar um acordo.

Não ficou claro se o governo tomará medidas para restringir a programação ou vai impor regras mais duras sobre as telenovelas, que são muito populares em toda a América Latina.

Analistas dizem que a queda de braço não deve reduzir a alta taxa de homicídios na Venezuela, que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) é a quinta pior do mundo. "É uma cortina de fumaça para distrair a atenção das causas verdadeiras" da violência e do crime, disse Roberto Briceño-León, do Observatório Venezuelano da Violência, que estima que a taxa de homicídios do país quadruplicou em 15 anos de regime socialista.

A pressão sobre o governo aumentou neste mês, depois do assassinato da ex-miss Venezuela Monica Spear e de seu marido, que foram mortos a tiros em frente à filha do casal, de 5 anos.

Em discurso feito na semana passada, Maduro acusou a novela "De todas maneras Rosa", produzida pela Venevision. Ele disse que a maior emissora do país lucra com a violência ao celebrar os crimes de uma das principais personagens do melodrama, Andreina Vallejo, uma beldade que mata a mãe envenenada para esconder a paternidade de seu filho.

Alberto Barrera Tyszka, autor de várias novelas, disse que a televisão apenas reflete os alarmantes níveis de violência presentes na sociedade e que os programas já são bastante regulados no que diz respeito a conteúdo não apropriado para menores. Para ele, Maduro deve voltar suas atenções para as causas da criminalidade.

"É ridículo responsabilizar a violência pelo que se vê durante uma ou duas horas por noite na televisão", disse Barrera Tyszka, que escreveu uma biografia do predecessor e mentor de Maduro, o ex-presidente Hugo Chávez. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.