Maduro demite ministro que idealizou o controle de câmbio na Venezuela

Jorge Giordani teve papel importante no governo Chávez e defendia o controle de divisas implantado para frear a fuga de capitais

O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 09h25

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, retirou de seu gabinete na terça-feira 17 o ministro Jorge Giordani, um dos idealizadores do controle de câmbio e preços vigente há mais de dez anos no país. Com papel importante durante o governo do ex-presidente Hugo Chávez, Giordani foi destituído do cargo de chefe do Planejamento após ter saído do conselho do Banco Central.

O ministro, um professor que recebeu o apelido de "o monge" por sua dedicação ao trabalho, esteve a frente da pasta Finanças e Planejamento e foi um dos mentores econômicos de Chávez. "Quero agradecer ao professor Jorge Giordani, companheiro em todos esses anos de luta, companheiro de nosso comandante Chávez", afirmou Maduro em seu programa semanal.

O novo titular do Planejamento será o atual ministro da Educação Universitária, Ricardo Menéndez. Geógrafo e professor, Menéndez também pertence a uma ala conservadora do chavismo que defende o controle estatal sobre o setor privado.

Economistas veem a saída de Giordani como uma aceleração do processo de ajustes necessários na economia venezuelana. Para analistas, isso pode diminuir a influência da "ala radical" do chavismo em assuntos econômicos. "Essa mudança nas relações de poder é vital porque grande parte do excesso de gradualismo que observamos até hoje resulta do poder de veto excercido pelos radicais", informou um documento do banco americano Merrill Lynch na semana passada.

Para a oposição, Giordani era o principal culpado pelas distorções econômicas que limitavam a produção interna e o investimento estrangeiro. Em 2003, o ministro foi o grande defensor do controle de divisas adotado para frear a fuga de capitais em razão da alta instabilidade na Venezuela após o golpe dado contra Chávez, em 2002.

Maduro enfrenta uma crescente pressão para acelerar uma transição para uma economia mais amigável com o mercado num momento em que o modelo de controle estatal no país com grandes reservas de petróleo caminha para uma estagflação.

O governo afirma que os problemas econômicos são resultado de uma "guerra econômica" liderada pela oposição venezuelana apoiada pelos EUA.

A oposição rebate dizendo que a gestão Maduro tem incentivado a escassez, a inflação e o crime - razões que levaram milhares de venezuelanos a protestar nas ruas este ano. Em maio, a inflação na Venezuela superou 60% e a escassez chegou a um terço dos bens de consumo, baixando a aprovação do presidente para 37%.

Neste cenário, o governo tem dado sinais recentes de aproximação com investidores. Na semana passada, o vice-presidente da Economia e chefe da estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) se reuniu com investidores em Londres e expressou a necessidade de haver um novo sistema de taxas de câmbio. / REUTERS

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